terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Mateus 12, 1-8

Evangelho segundo Mateus


Capítulo 12


Versículo 1: Naquele tempo passou Jesus pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas, e a comer.

Versículo 2: E os fariseus, vendo isto, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado.

Versículo 3: Ele porém lhes disse: Nâo tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele estavam?

Versículo 4: Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem aos que com ele estava, mas só aos sacerdotes?

Versículo 5: Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa?

Versículo 6: Pois eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo.

Versículo 7: Mas se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes.

Versículo 8: Porque o Filho do homem até do sábado é senhor.

Comentários

Os fariseus se preocupavam exclusivamente com o cumprimento das leis deixadas por Moisés. Ficavam atentos a qualquer fato que pudesse indicar que essa lei estivesse sendo desobedecida.

Quando, segundo a narrativa de Moisés, Deus deixou os dez mandamentos, um deles dizia: Lembra-te do dia do sábado, para o santificar (Êxodo 20, 8). Isso simplesmente queria dizer para o povo dedicar um dia da semana para cultivar o seu relacionamento com Deus. Os fariseus criaram 39 regras para dizer o que podia e o que não podia ser feito no sábado. Transformaram uma ideia simples (passar um tempo com Deus) num conjunto de regras sem sentido.

Como sempre, os fariseus não tiravam os olhos de Jesus. Queriam provar que Ele era um pecador e, por isso, não poderia ser o Messias prometido. Nem passou pela cabeça deles que talvez estivessem enganados. Estavam tão preocupados com a obediência às regras que não enxergaram a grandeza de Jesus.

Jesus lembra os fariseus de um episódio, narrado no livro I Samuel, capítulo 21, versículos 1 a 6, onde Davi, estando com fome, come os pães que só poderiam ser comidos pelos sacerdotes. Os discípulos de Jesus colheram as espigas e as comeram porque também estavam com fome. Não estavam realizando nenhuma atividade proibida pela lei, apenas estavam com fome e comeram.

Jesus, sendo o mensageiro enviado por Deus, era maior, ou seja, superior a toda e qualquer regra que os fariseus pudessem criar. As regras que foram criadas apenas representavam uma visão distorcida de Deus. Jesus conhecia profundamente Deus, e vivia em comunhão com ele. Por isso, era superior a qualquer dessas regras.

No livro de Oséias, no capítulo 6, versículo 6, é dito que Deus quer misericórdia, e não sacrifício. Moisés tinha estabelecido uma série de regras: para cada pecado cometido, existia um tipo de sacrifício a ser feito. Este sacrifício geralmente implicava na morte de animais. Jesus recorda que Deus quer que usemos de misericórdia para com o próximo, e não que decorássemos as regras dos sacrifícios.

O sábado era um dia dedicado a Deus. Jesus era filho de Deus. Portanto, era dono do dia de sábado.

Em muitos trechos, Jesus diz que o amor a Deus e ao próximo deve estar acima das regras. De nada adianta ficarmos presos a regras e convenções se não tivermos amor em nossos corações.

Não adianta o espírita se dedicar com afinco ao estudo das obras de Kardec se não colocar o amor em primeiro lugar. Esse amor deve ser demonstrado com atitudes, não com discursos vazios.


domingo, 19 de janeiro de 2014

Mateus 11, 28-30

Evangelho segundo Mateus


Capítulo 11


Versículo 28: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

Versículo 29: Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.

Versículo 30: Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

Vocabulário


Jugo: vínculo de submissão e obediência resultante de determinado tipo de convenção ou obrigação.

Fardo: aquilo que é difícil ou duro de suportar.

Comentários


Como Jesus tem o poder de aliviar todos os sofrimentos humanos? Através de Seus ensinamentos.

Engana-se quem pensa que o Espiritismo não é uma religião cristã. Não pode existir Espiritismo sem Jesus.

Jesus traz a mensagem do amor e do perdão. O Espiritismo procura explicar alguns aspectos que, devido ao grau de entendimento das pessoas na época de Jesus, não puderam ser clareados.

Ao lançar uma luz sobre a causa do sofrimento humano, explicando que vivemos mais de uma vez, o Espiritismo diz que podemos confiar na bondade de Deus, pois se Deus é justo, a causa do sofrimento também deve ser justa.

O jugo ao qual Jesus se refere é a obediência às leis que Ele veio ensinar. Não mais haveria a necessidade de se decorar uma infinidade de leis propostas por Moisés para adorar a Deus. Bastava conhecer apenas duas leis: amar a Deus acima de tudo e amar ao próximo como amamos a nós mesmos. Por isso o Seu jugo é suave.

Não pesam mais sobre as pessoas o peso de tantas regra a serem seguidas. No Antigo Testamento, temos capítulos e mais capítulos destinados a ditar essas regras. Jesus nos ensinou que as duas leis que Ele trouxe resumiam todas as leis destinadas a regerem o nosso relacionamento com Deus.

Por isso, não precisamos aceitar os argumentos tolos das pessoas que expressam sua opinião dizendo: isso é que é o correto porque está na Bíblia. Isso só demonstra que elas ou não estudaram esse livro corretamente ou não entenderam a mensagem de Jesus.

Jesus nos dá mais liberdade de conhecermos e nos relacionarmos com Deus. Ele nos livra da prisão da ignorância, prometendo uma vida com paz e conforto. Não mais estaremos presos a regras rígidas para nos ensinar como vivenciar Deus em nossas vidas. Num dia não muito distante, compreenderemos a lei do amor, e essa lei vai conduzir todos os aspectos de nossa vida.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Mateus 11, 25-27

Evangelho segundo Mateus


Capítulo 11


Versículo 25: Naquele tempo, repondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.

Versículo 26: Sim, ó Pai, porque assim te aprouve.

Versículo 27: Todas as coisas me foram entregues por meu Pai: e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Conhecer: implica em relacionar-se intimamente com alguém ou alguma coisa.

Comentários


Jesus, no versículo 25, diz que Deus revelou coisas importantes aos pequeninos, ou seja, às pessoas humildes. As pessoas cultas e estudiosas da lei (os fariseus) não conseguiam (ou não queriam) entender a mensagem de Jesus. Talvez isso acontecesse porque, como estas pessoas já acreditavam que entendiam melhor do que ninguém as leis de Deus, não precisavam sair em busca de novos conhecimentos e novas interpretações para aquilo que julgavam já saber.

Jesus diz que Deus (o Pai) tinha dado a Ele (o filho) o conhecimento de tudo o que dizia respeito a Deus. Diz que somente Deus O conhecia, e que somente Ele (Jesus) conhecia a natureza íntima de Deus. Diz também que somente Ele (Jesus) pode tornar possível o conhecimento de Deus às pessoas.

Mesmo nos dias de hoje, passados mais de dois mil anos do nascimento de Jesus, temos dificuldade em entender a mensagem que Ele veio trazer. Imagine então a dificuldade que temos de colocar essa mensagem em prática! Assim, continuamos ainda distantes do entendimento da natureza de Deus. Mas o mais importante não é o entendimento, é ter a certeza de que Ele nos criou e nos ama apesar de tudo o que somos.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Mateus 11, 20-24

Evangelho segundo Mateus


Capítulo 11


Versículo 20: Então começou ele a lançar em rosto às cidades onde se operou a maior parte dos seus prodígios o não se haverem arrependido, dizendo:

Versículo 21: Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza.

Versículo 22: Por isso eu vos digo que haverá menor rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós.

Versículo 23: E tu, Capernaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti operaram, teria ela permanecido até hoje.

Versículo 24: Porém eu vos digo que haverá menos rigos para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti.

Comentários


Corazim, Betsaida e Capernaum (Cafarnaum): cidades onde Jesus tinha pregado.

Tiro, Sidom e Sodoma: cidades citadas no Antigo Testamento. Foram destruídas por Deus devido à iniquidade (ato ou comportamento contrário à moral, à religião ou à justiça).

Jesus lamenta o fato de, nas três cidades onde Ele pregou (Corazim, Betsaida e Cafarnaum), as pessoas não terem dado atenção às Suas palavras. Ele falou que, se nas cidades que foram punidas por Deus devido ao pecado (Tiro, Sidom e Sodoma) tivessem visto as curas e as pregações que Ele fazia, certamente elas teriam se convertido, mudado de conduta e se salvariam.

É próprio do ser humano só dar valor a alguma coisa depois que a perdeu. Enquanto Jesus estava presente, pregando nas cidades por onde passava, poucas pessoas creram que Ele era o Messias prometido. Somente depois que morreu é que alguns perceberam  o valor de Sua mensagem.

Hoje, temos acesso a dezenas de informações religiosas. É praticamente impossível, ao menos no Brasil, alguém não conseguir estudar o Espiritismo. No entanto, as pessoas se esquecem de que a finalidade de qualquer religião é transformar as pessoas, fazendo com que elas caminhem em direção à sua evolução espiritual. Muitos se prendem aos estudos, esquecendo-se que a sua finalidade é tornar a prática mais fácil.

Outros fogem dos estudos, usando como desculpa que se instruem através da comunicação dos espíritos já desencarnados. Não entendem que devem caminhar com as próprias pernas, e que, sem estudo, não conseguem saber a diferença entre o joio e o trigo.

Não podemos nos esquecer que a quem muito foi dado, muito será pedido. Prestaremos conta, mais cedo ou mais tarde, do muito que estamos recebendo. A solução é arregaçar as mangas para realizarmos o que tem que ser feito, sempre procurando o bem-estar do próximo, tornando viva a mensagem de Jesus.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Mateus 11, 16-19

Evangelho segundo Mateus


Capítulo 11


Versículo 16: Mas a quem assemelharei esta geração? É semelhante aos meninos que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros,

Versículo 17: E dizem: Tocamo-vos flauta, e não dançastes: cantamo-vos lamentações, e não chorastes.

Versículo 18: Porque veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio.

Versículo 19: Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos.

Comentários


Jesus falou aos judeus de sua época que eles eram parecidos com crianças que não aceitam quem não se junte a elas nas brincadeiras.

Os fariseus viviam no estrito cumprimento das leis de Moisés. Porém eles só valorizavam as leis que regulamentavam o culto exterior, esquecendo que a única finalidade dos rituais do culto era homenagear Deus. Ficaram tão presos às homenagens que se esqueceram do homenageado!

Como os fariseus tinhas esse tipo de pensamento, só aceitariam um Messias (o salvador) que tivesse a mesma maneira de agir que a deles. Por isso, eles não aceitaram nem João Batista nem Jesus.

Segundo o Antigo Testamento, a vinda do Messias traria grandes mudanças ao povo hebreu. Mas este povo queria mudanças que não modificassem nada. Como muitas pessoas pensam até hoje, eles queriam obter um resultado diferente (o retorno ao antigo esplendor do povo hebreu) fazendo sempre a mesma coisa. Jesus trazia uma maneira diferente de entender Deus, porque o propósito era obter um resultado diferente (a libertação da pessoa, e não do povo). Por não entenderem isso, e se arraigarem ao que estavam acostumados, os fariseus perderam a oportunidade de entrarem para a história como aqueles que tinha reconhecido o Messias. Até hoje são conhecidos como sinônimo de hipócritas.

Precisamos entender que o que já conhecemos pode até ser bom, mas pode também nos impedir de alcançar algo melhor ("o bom é inimigo do melhor", como diz o ditado popular).

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Férias

Estou saindo de férias. Retorno com as publicações em meados de janeiro.
Um abraço a todos.
Um feliz Natal. E não se esqueçam quem é o aniversariante do dia 25.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Mateus 11, 12-15

Evangelho segundo Mateus


Capítulo 11


Versículo 12: E, desde os dias de João Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele.

Versículo 13: Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João.

Versículo 14: E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir.

Versículo 15: Quem tem ouvidos para ouvir ouça.

Comentários


Malaquias é o último livro do Antigo Testamento. Com a morte de Malaquias, não surgiram novos profetas por mais de 400 anos. No capítulo 4 do livro  de Malaquias, no versículo 5, ele diz que o profeta Elias será enviado para anunciar a vinda do Messias.

No capítulo 12 do evangelho segundo Mateus, vemos que os discípulos de João Batista procuram Jesus para confirmar se Jesus é mesmo o Messias prometido. Jesus pede que eles digam a João Batista as curas que acontecem e o evangelho anunciado a todos sem distinção (versículos 1 a 6).

Depois, Jesus confirma que João Batista é aquele que deveria preparar o caminho do Messias (versículos 7 a 11).

Agora, Jesus cita a profecia que Elias viria antes do Messias prometido, e que João Batista era Elias. Como todos conheciam João Batista desde o seu nascimento, não resta outra opção senão entender que ele era a reencarnação de Elias.

No livro de Malaquias, é dito que o profeta Elias será enviado. Não é dito que alguém semelhante a Elias virá. Como isso é possível, se na época de Malaquias o profeta Elias já havia morrido? Somente a reencarnação pode explicar isso.

Na época narrada no Antigo Testamento, temos muitos relatos de violências cometidas. Deus é mostrado como um pai vingativo e cruel, capaz de se vingar e mandar matar mulheres e crianças. O povo de Israel, escolhido por Deus, matava seus inimigos sem piedade. As pessoas acreditavam que, por lutarem em nome de Deus, tinha o direito de cometer as maiores barbaridades.

Jesus traz uma nova mensagem. Nela, não há espaço para a violência. Sua mensagem é muito diferente das regras dadas por Moisés. Isso acontece porque o povo já havia amadurecido bastante desde aquela época, estando apto a entender melhor a natureza de Deus.


Ao falar da violência, Jesus também pode ter se referido aos fariseus, que se achavam os únicos dignos de interpretar as leis de Moisés e os únicos que as seguiam. Para se manterem no poder, faziam alianças com os romanos, que eram os que estavam no poder e oprimiam os judeus. Os fariseus usavam de violência para se manterem no poder, achando que podiam forçar sua entrada no reino dos céus.