quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Marcos 15.1-15

Evangelho segundo Marcos


Capítulo 15


Versículo 1: Ao raiar do dia, entraram em assembleia os chefes dos sacerdotes com os líderes religiosos, os mestres da lei e todo o Supremo Tribunal dos Judeus e tomaram uma decisão: amarraram Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos.

Durante a noite, houve uma reunião informal no Sinédrio (Supremo Tribunal dos Judeus). Ao amanhecer, houve a reunião formal no Sinédrio, pois a lei dizia que nenhuma reunião deliberativa poderia ser feita durante a noite.

Como o Sinédrio não poderia condenar ninguém à morte, Jesus foi levado até o governador romano da Judeia, Pilatos. Este sim teria o poder de O condenar à morte. Para que isso acontecesse, os líderes religiosos judeus acusaram Jesus de traição e blasfêmia.

Versículo 2: Então Pilatos o interrogou: "És tu o rei dos judeus?" Ao que Jesus lhe replicou: "Tu o dizes."

Em nenhum momento Jesus havia se denominado "rei". Ao contrário, disse para aqueles que esperavam encontrar nele o líder de uma rebelião, que o Seu reino não era desse mundo.

Versículo 3: E os chefes dos sacerdotes passaram a levantar várias outras acusações contra Ele.

Os líderes religiosos judeus não estavam preocupados com a verdade. Já haviam se decidido: Jesus seria condenado à morte, e não importava sob qual acusação isso aconteceria, desde que Ele fosse condenado.

Versículo 4: Por isso Pilatos indagou uma vez mais: "Nada respondes? Vê quantas acusações te fazem!"

Versículo 5: Mas Jesus não respondeu uma só palavra, a ponto de Pilatos ficar muito impressionado.

Nada do que Jesus dissesse faria com que os líderes judeus mudassem de ideia. Por isso, Jesus se calou.

Versículo 6: Ora, por ocasião da festa, fazia parte da tradição libertar um prisioneiro por aclamação popular.

Versículo 7: Um homem conhecido por Barrabás estava na prisão junto a rebeldes que haviam cometido assassinato durante uma rebelião.

Barrabás era membro dos zelotes, um grupo revolucionário judaico que pretendia libertar Israel do domínio romano.

Versículo 8: Concentrando-se a multidão, clamaram a Pilatos que lhes outorgasse o direito de costume nessas ocasiões.

Versículo 9: E Pilatos lhes ofereceu: "Quereis que eu vos liberte o rei dos judeus?"

Versículo 10: Porquanto ele bem sabia que fora por inveja que os chefes dos sacerdotes lhe haviam entregado Jesus.

Pilatos percebeu que não havia um motivo real para condenar Jesus, e tentou contornar a situação, oferecendo à multidão a possibilidade de libertá-lo.

Versículo 11: Então os chefes dos sacerdotes instigaram a multidão a rogar a Pilatos que, ao contrário, soltasse Barrabás.

Versículo 12: Contudo, Pilatos lhes questionou: "Assim sendo, que farei com este a quem chamais o rei dos judeus?"

Versículo 13: Mas eles gritavam: "Crucificai-o!"

Versículo 14: "Por que? Que mal fez este homem?" inquiriu Pilatos. Todavia, eles clamavam ainda mais decididos: "Crucificai-o!"

Versículo 15: Então, Pilatos, para satisfazer a todo aquele povo reunido, soltou-lhes Barrabás; ordenou que Jesus fosse açoitado e depois o sentenciou à crucificação.

A crucificação era a pena com a qual Roma punia os rebeldes. Os líderes judeus queriam que Jesus fosse punido como um rebelde, e não como um líder religioso. Eles pretendiam desqualificar Jesus.

O povo, que dias antes havia aclamado Jesus na entrada de Jerusalém, agora pedia que fosse condenado à morte.

Quem diz que a voz do povo é a voz de Deus precisa se lembrar do povo pedindo para soltar um bandido e crucificar Jesus!


domingo, 14 de agosto de 2016

Marcos 14.66-72

Evangelho segundo Marcos


Capítulo 14


Versículo 66: Continuando Pedro na parte de baixo, no pátio, uma das criadas do sumo sacerdote passou por ali.

Enquanto Jesus estava sendo agredido na casa de Caifás, o sumo sacerdote, Pedro estava no pátio, na parte baixa da casa, aguardando notícias de Jesus.

Versículo 67: E, vendo a Pedro se aquecendo, fixou bem seus olhos nele e afirmou: "Tu também estavas com Jesus, o Nazareno!"

Versículo 68: Todavia, ele o negou, assegurando: "Não o conheço, nem ao menos sei do que estás falando." Então foi para fora, em direção ao pórtico. E um galo cantou.

Pedro, quando estava com Jesus na ceia da Páscoa judaica, algumas horas antes, havia dito que, mesmo se tivesse que morrer, jamais abandonaria Jesus. E Jesus respondeu que, antes que o galo cantasse por duas vezes, Pedro O negaria.

Versículo 69: Quando a criada o viu lá, começou novamente a falar às pessoas que estavam em derredor: "Este é um deles!"

Versículo 70: Porém, uma vez mais, ele o negou. E, pouco tempo mais tarde, os que estavam sentados ali perto identificaram Pedro: "Com toda a certeza, tu és um deles, pois és galileu também!"

Um galileu, que era uma pessoa originária da Galileia, era rapidamente identificado, pois falava um idioma diferente (aramaico) do que era falado em Jerusalém.

Ao identificarem Pedro como um galileu, deduziram que ele estava ali por causa de Jesus, que era galileu também.

Versículo 71: Pedro começou a amaldiçoar-se e a jurar: "Não conheço esse homem de quem falais!"

Pedro invocou uma maldição divina para si mesmo caso estivesse mentindo. Era uma forma de mostrar que, de fato, não estava mentindo, e que não conhecia Jesus.

Versículo 72: E, em seguida, o galo cantou pela segunda vez. Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: "Antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes". E, percebendo o que fizera, caiu em profundo pranto.


O arrependimento de Pedro foi profundo e imediato. Assim que se deu conta do que havia feito, chorou amargamente.

Pedro iria se redimir ao se tornar um dos maiores divulgadores da mensagem de Jesus.

domingo, 7 de agosto de 2016

Marcos 14.53-65

Evangelho segundo Marcos


Capítulo 14


Versículo 53: Levaram Jesus ao sumo sacerdote; e então se reuniram todos os chefes dos sacerdotes, os líderes religiosos e os mestres da lei.

O sinédrio, que funcionava como o Supremo Tribunal judaico, era constituído por setenta e um membros, divididos em três categorias: os chefes dos sacerdotes (também chamados "principais"), os líderes religiosos ("anciãos") e os mestres da lei ("escribas").

Enquanto estavam sob o domínio do Império Romano, o Sinédrio tinha grande poder, mas não podia condenar uma pessoa à morte.

O julgamento de Jesus teve duas fases: na primeira, um pequeno grupo se encontrou à noite; na segunda, todo o Sinédrio se reuniu pela manhã.

Os judeus queriam acusar Jesus de blasfêmia, pois Ele havia se declarado filho de Deus. O crime de blasfêmia era punido com  a morte.

Na realidade, não houve um julgamento, pois os componentes do Sinédrio já haviam se decidido a condenar Jesus à morte, não se importando com as provas ou com os testemunhos.

Versículo 54: Pedro o seguiu de longe até o pátio do sumo sacerdote. E permaneceu assentado entre os criados, aquecendo-se junto ao fogo.

Versículo 55: Os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio estavam buscando denúncias contra Jesus, todavia não conseguiam encontrar nenhuma.

Versículo 56: Várias pessoas também testemunharam falsamente contra Ele, contudo suas declarações não se mostraram coerentes.

Segundo as leis judaicas, uma pessoa só poderia ser condenada à morte mediante o testemunho de duas ou mais pessoas. Entretanto, não poderia haver contradições nos testemunhos.

Os líderes judeus não estavam conseguindo encontrar tais testemunhas, pois as acusações contra Jesus eram falsas.

Versículo 57: Então, outros se levantaram para testemunhar inverdades contra Ele:

Versículo 58: Nós o ouvimos exclamar: "Eu destruirei este templo construído por mãos humanas e em três dias edificarei outro, não erguido por mãos de homens."

Na realidade, Jesus havia dito que derrubaria o Templo, e em três dias o levantaria. Ele não se referia ao prédio, mas a Seu próprio corpo, pois morreria e, depois de três dias, ressuscitaria.

Versículo 59: Entretanto, nem mesmo quanto a essa acusação o testemunho deles era congruente.

Versículo 60: Então o sumo sacerdote levantou-se diante de todos e interrogou a Jesus: "Nada contestas à denúncia que estes levantam contra ti?"

Versículo 61: Ele, contudo, permaneceu em silêncio e nada replicou. Mas o sumo sacerdote voltou a indagá-lo: "És tu o Messias, o Filho de Deus Bendito?"

Versículo 62: Jesus asseverou: "Eu sou! E vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso e chegando com as nuvens do céu."

Versículo 63: Diante disto, o sumo sacerdote rasgou suas vestes e esbravejou: "Por que ainda necessitamos de outras testemunhas?"

Um antigo costume dos reis e profetas era rasgar as roupas para, de maneira dramática, demonstrarem horror, escândalo ou ultraje.

Versículo 64: "Ouvistes a blasfêmia! Que vos parece?" E todos o julgaram merecedor da pena de morte.

O Sinédrio poderia condenar uma pessoa à morte sob a acusação de blasfêmia, que incluía não só a difamação do nome de Deus mas também qualquer ofensa à sua majestade ou poder. Mas era necessária a aprovação das autoridades romanas para a condenação.

Versículo 65: E assim alguns começaram a cuspir nele; encapuzaram-no, vendando seus olhos e, esmurrando-o, exclamavam: "Profetiza!" E os guardas o levaram debaixo de bofetadas.

Uma antiga interpretação do texto de Isaías (profeta do Antigo Testamento) dizia que o Messias seria capaz de conhecer e julgar as pessoas, ainda que de olhos vendados. Por isso, os soldados zombavam de Jesus, pedindo que Ele adivinhasse quem O estava agredindo.

Com a descrição desta cena, vemos até onde a ignorância pode nos levar!


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Marcos 14.43-52

Evangelho segundo Marcos


Capítulo 14


Versículo 43: Jesus ainda não havia terminado de falar, quando surgiu Judas, um dos Doze. E com ele chegou uma multidão armada de espadas e cassetetes, vinda da parte dos sacerdotes, mestres da lei e líderes religiosos.

Jesus tinha ido, junto com Seus discípulos,  a um lugar chamado Getsêmani para orar. Tinha levado Pedro, Tiago e João a um lugar mais reservado, e pediu que eles permanecessem em vigília. Eles adormeceram, e Jesus os advertiu para que orassem e vigiassem, a fim de não caírem em tentação.

Depois que os advertiu, Jesus disse que estava pronto para ser entregue nas mãos dos pecadores e que o que O iria trair estava chegando. Logo em seguida, Judas chegou, trazendo guardas do Templo, escravos a serviço do sumo sacerdote e alguns soldados romanos.

Versículo 44: Ora, o traidor tinha combinado um sinal com eles: "Aquele a quem eu saudar com um beijo, é Ele; prendei-o e levai-o sob forte segurança."

Versículo 45: Então, assim que chegou, dirigiu-se imediatamente para Jesus e o saudou: "Rabbi". E o beijou.

A expressão "Rabbi" significa "meu mestre". Junto com um ou mais beijos em cada face, era um sinal de respeito e gratidão de um discípulo a seu mestre. Judas escolheu esse gesto para trair Jesus.

Versículo 46: Em seguida, os homens amarraram Jesus e o prenderam.

Versículo 47: Nesse momento, um dos que estavam bem próximos puxou da espada e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha.

Segundo o que nos relata João, em seu Evangelho, foi Pedro quem atacou o servo.

Versículo 48: Exclamou-lhes Jesus: "Acaso estou eu liderando alguma rebelião para virdes me prender com espadas e cassetetes?

Versículo 49: Pois diariamente tenho estado convosco no templo, vos ensinando, e não me prendestes. Contudo, é para que se cumpram as Escrituras."

Jesus protesta pela maneira com que vieram prendê-lo, com brutalidade, e de maneira desrespeitosa. Esse tratamento era reservado a rebeldes e criminosos, não a um mestre da lei.

O capítulo 53 do livro de Isaías, no Antigo Testamento, descreve o que aconteceria com o Messias. Isso foi escrito  centenas de anos antes de acontecer. Por isso, Jesus diz que o que foi profetizado nas escrituras estava se cumprindo.

Versículo 50: Logo em seguida, todos fugiram e o abandonaram.

Os discípulos de Jesus, que algumas horas antes disseram que jamais O abandonariam, saíram correndo ao menor sinal de perigo.

Versículo 51: Certo jovem, vestindo apenas um lençol de linho, estava seguindo Jesus, quando também tentaram prendê-lo.

Versículo 52: Mas ele, largando o lençol, fugiu desnudo.

Alguns historiadores acreditam que o jovem descrito fosse o próprio autor desse Evangelho (Marcos), pois esse episódio não é descrito em nenhum dos outros três Evangelhos.

Temos Jesus em Seus momentos finais. Judas, que havia compartilhado de Seus dias, aprendendo diretamente de Sua boca os ensinamentos a respeito de Deus, havia, por motivos que não sabemos explicar, decidido que Ele deveria ser traído, sendo entregue aos romanos através dos sacerdotes judeus.

Seus discípulos, que há pouco haviam compartilhado da refeição da Páscoa judaica, saíram correndo, com medo de também serem presos.

Não podemos acreditar que Jesus, um espírito altamente evoluído, fosse ficar magoado com o que estava acontecendo, por ser traído e abandonado. Entretanto, essas ações revelam o quão distante esses espíritos estavam de compreenderem o papel que lhes cabia na história.

Hoje, cada um de nós também tem um importante papel a desempenhar. Deus nos mostra, a todo momento, qual é esse papel. Podemos escolher entre fazer o melhor possível ou, tal qual os atores daquela época, deixarmos a oportunidade passar. A escolha é nossa.

sábado, 30 de julho de 2016

Marcos 11.32-42

Evangelho segundo Marcos


Capítulo 11


Versículo 32: Então caminharam para um lugar chamado Getsêmani e, tendo chegado, solicitou Jesus aos seus discípulos; "assentai-vos aqui, enquanto Eu vou orar."

Versículo 33: E levou consigo a Pedro, Tiago e João, e começou a sentir grande temor e profunda angústia.

"Getsêmani" era um jardim com pomar situado na encosta do monte das Oliveiras. Era um dos lugares favoritos de Jesus par orar. Em várias passagens do Evangelho, é narrado que Jesus se afastava da multidão para orar. Quando precisamos nos comunicar com Deus, temos o exemplo de Jesus de como o fazer. Um lugar isolado e tranquilo, confortável e, se possível, em contato com a natureza vai nos ajudar a ter um contato íntimo com Deus.

É claro que podemos fazer a nossa prece em qualquer lugar, barulhento ou não. Entretanto, ouvi uma vez uma frase que ficou na minha memória: "Deus só pode ser encontrado no silêncio." Os estímulos, tanto sonoros quanto visuais, acabam por distraírem a nossa mente, que se dispersa, e acabamos por nos perder em milhões de pensamentos.

Para nos relacionarmos com Deus, entrando em sintonia com Ele, precisamos estar com o nosso corpo e a nossa mente no mesmo lugar. Um lugar bem isolado e silencioso nos ajuda bastante.

Jesus tinha ido para um local tranquilo. Sabia que Judas iria lá para O entregar aos Seus inimigos e foi ao encontro do Seu destino. Levou os Seus discípulos mais chegados para que compartilhassem com Sua luta espiritual. Refletindo sobre isso, podemos perceber que não temos que travar as nossas batalhas espirituais sozinhos. Num Centro Espírita, certamente encontraremos pessoas que podem nos ajudar. Elas não vão tomar a decisão por nós, mas podem nos ajudar a ter um maior discernimento e identificar os obstáculos presentes em nosso caminho.

Versículo 34: E compartilha com eles: "Minha alma está extremamente triste até à morte; ficai pois aqui e vigiai."

Nos dias de hoje, quem de nós pode dizer que nunca percebeu uma pessoa angustiada ao seu lado? Como estamos envolvidos em nossos próprios problemas, acabamos fingindo que não notamos. E não fazemos nada para ajudar. Ficamos esperando grandes tarefas no Centro, esperando ser chamados para sermos os responsáveis por chefiar uma tarefa assistencial. E, enquanto isso não acontece, não fazemos nada.

Temos dezenas de oportunidades de representarmos Jesus na Terra, de fazermos com que o outro consiga se lembrar de Jesus com as nossas atitudes. Não podemos perder essas pequenas oportunidades, pois elas podem mudar o nosso destino, aliviando muitas expiações e provas que estão esperando por nós.

Versículo 35: Caminhou um pouco mais adiante e, prostrando-se, orava para que, se possível, àquela hora fosse afastada dele.

Versículo 36: E rogava: "Abba, Pai, todas as coisas são possíveis para ti, afasta de mim  este cálice; todavia, não seja o que Eu desejo, mas sim o que Tu queres."

"Abba" era uma expressão em aramaico (a língua natural de Jesus) e significava "papai" ou "meu pai querido". Esta expressão simboliza o grau de relacionamento de Jesus com Deus!

Jesus não estava angustiado porque iria morrer, pois sabia disso desde que havia encarnado. Estava angustiado porque seria morto como um criminoso, rejeitado por todos. Sabia do peso que isso teria para as pessoas que cometeriam essas ações.

Mesmo em Seus momentos de angústia, Jesus não rejeitou o que tinha que acontecer, nem duvidou que Deus o amasse. Colocou-se nas mãos de Deus, e mostrou-se apto a cumprir a Sua missão.

Assim nós também, nos momentos de angústia que a vida nos traz, devemos nos mostrar confiantes em Deus, e prontos para passarmos pelo que for necessário, pois esta é a vontade de nosso Pai.

Versículo 37: Ao voltar para seus discípulos, os surpreendeu dormindo: "Simão!" - chamou Ele a Pedro. "Estais dormindo? Não conseguistes vigiar nem por uma hora"

Versículo 38: Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois, de um lado, o espírito está pronto, mas, por outro lado, a carne é fraca."

Os discípulos, embora com uma evolução espiritual bastante elevada, foram vencidos pela matéria. O cansaço do corpo fez com que deixassem de lado a necessidade espiritual de darem apoio a Jesus naquele momento.

Devemos ser cuidadosos, não permitindo que as nossas necessidades materiais comandem as nossas ações. Somos seres eternos, criados por Deus simples e ignorantes, mas tendo como meta a perfeição. As necessidades materiais não são mais importantes que isso.

Versículo 39: E, uma vez mais, Ele se afastou e orou, repetindo as mesmas expressões.

Versículo 40: Ao regressar, novamente os encontrou dormindo, porque seus olhos estavam pesados, mas não sabiam como justificar-se.

Versículo 41: Voltando ainda uma terceira vez, Ele lhes admoestou: "Ainda dormis e descansais? Basta! Eis que a hora é chegada! O filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.

Ao lermos esta passagem, pensamos: "Nossa! Como eles podiam dormir, sabendo que Jesus logo iria morrer?" Achamos que eles deveriam aproveitar ao máximo a presença de Jesus, que logo não estaria mais entre eles. Entretanto, desperdiçamos a nossa vida com coisas inúteis. Damos atenção a bobagens, desprezando o que de fato importa. Todos nós temos consciência de que as pessoas que amamos não estarão eternamente conosco. No entanto, quando estamos com elas, ao invés de desfrutarmos desse momento, nos distraímos com milhões de bobagens. Queremos fazer milhares de coisas ao mesmo tempo, e não nos dedicamos a nenhuma delas nem fazemos nada direito.

Espíritas, este momento que temos em nossa encarnação não foi uma viagem planejada para nosso desfrute, como um momento de lazer. É uma oportunidade de luta contra nossa inferioridade moral, e de aprendizado sublime dos ensinamentos do Mestre. Não vamos agir como os discípulos, que dormiam enquanto Jesus se preparava para morrer. Como disse Jesus, "vigiai e orai, para não cairdes em tentação.

Versículo 42: Levantai-vos, pois, e vamos! Eis que chegou aquele que me está traindo!"

Judas vai entrar em cena, deixando que uma escolha errada determine como ele será lembrado pela humanidade durante milhares de anos.

sábado, 23 de julho de 2016

Marcos 14.27-31

Evangelho segundo Marcos


Capítulo 14


Versículo 27: Então Jesus lhes advertiu: "Todos vós me abandonareis. Pois está escrito: 'Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas.'

Jesus estava conversando com Seus discípulos após a última ceia que compartilhariam. Ele já sabia o que Judas faria, e cita um trecho do Antigo Testamento (Zacarias capítulo 13, versículo 7) para dizer que, após Sua morte, Seus discípulos se dispersariam.

Versículo 28: Contudo, depois da minha ressurreição, partirei adiante de vós rumo à Galileia."

Jesus está avisando os Seus discípulos que, após sua morte, vai encontrá-los novamente.

Versículo 29: Pedro exclamou: "Mesmo que todos te abandonem, eu nunca te deixarei!"

Pedro diz que jamais abandonaria Jesus, mesmo que todos os outros o fizessem. Assim como Jesus sabia que Judas O  havia traído, também sabia como Pedro iria se comportar depois que Ele fosse preso.

Isso não quer dizer que Judas era obrigado a trair Jesus, nem que Pedro fosse obrigado a negar que O conhecesse, pois todos possuem livre arbítrio, e poderiam ou não fazer essas coisas. Quer dizer somente que Jesus já sabia o que eles fariam.

Jesus é um espírito cuja evolução nós temos dificuldade em até mesmo imaginar, então muitas coisas nós não conseguimos compreender. Apesar de nos causar estranheza, Jesus já sabia o que ocorreria. Em diversas ocasiões, demonstrou saber também o que estava acontecendo em lugares distantes de onde estava.

Versículo 30: Replicou-lhes Jesus: "Com toda a certeza te asseguro que ainda hoje, nesta noite, antes que por duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes."

Versículo 31: Entretanto, Pedro insistia com eloquência: "Ainda que seja preciso que eu morra ao teu lado, jamais te negarei!" E da mesma maneira responderam todos os demais.

Durante o tempo em que estiveram com Jesus, os discípulos demonstraram muitas vezes não compreender a Sua mensagem. Vemos, nos trechos dos Evangelhos, que eles precisavam constantemente de correções por parte de Jesus, pois interpretavam de maneira equivocada o que Ele havia dito.

Se pensarmos de uma maneira simplista, podemos achar que eles não estavam à altura da missão que lhes foi confiada. Entretanto, ao refletirmos melhor, vemos que somente um espírito com a mesma evolução que a de Jesus é que poderia O compreender completamente. Em nosso planeta, não existe outro espírito que se equipare a Jesus. Portanto, os Seus discípulos eram a melhor opção para aquele momento.

Estes homens, simples pescadores, largaram toda a vida que conheciam para seguir o Mestre. A partir do momento em que conheceram Jesus, abandonaram as suas vidas e se dedicaram exclusivamente a aprenderem os conceitos novos que Jesus trazia.

Esta profunda transformação que se operou na vida destes pescadores não fez com que a evolução desse um salto e os transformasse em espíritos puros. Fez apenas com que se transformassem.

Quando nos deparamos com o Espiritismo, ficamos deslumbrados com as maravilhas que ele nos mostra. Isto produz uma certa transformação, mas não nos transforma em espíritos puros. Vamos continuar em nossa longa jornada rumo à perfeição.

O que não pode acontecer é que, usando o pretexto de que não conseguiremos alcançar a perfeição nesta existência, continuemos os mesmos, cometendo os mesmos erros de sempre.

Jesus veio trazer uma mensagem que tem o potencial de mudar a humanidade. O Espiritismo veio esclarecer alguns pontos que estavam obscuros na mensagem de Jesus. Com essa ferramenta nas mãos, poderemos realizar mudanças profundas em nossas vidas, e estas mudanças podem evitar séculos de sofrimento.

O momento de transformação é agora, e o local é aqui. Vamos nos esforçar o máximo possível, pois o tempo não vai parar para esperar.

sábado, 16 de julho de 2016

Marcos 14. 22-26

Evangelho segundo Marcos


Capítulo 14


Versículo 22: E, enquanto ceavam, tomou Jesus um pão e, tendo dado graças, o partiu, e o serviu aos seus discípulos, declarando: "Tomai, isto é o meu corpo."

Na ceia da Páscoa judaica, eram usados o vinho e o pão como alimentos tradicionais. Jesus deu um novo significado a eles: o pão simbolizaria o Seu corpo, que Ele estava entregando em sacrifício, pois logo morreria na cruz.

Versículo 23: Em seguida, tomou Jesus um cálice, deu graças e o entregou aos discípulos, e todos beberam dele.

Versículo 24: Então lhes revelou: "Isto é o meu sangue da Aliança, o qual é derramado para o bem de muitos.

Na antiga aliança, presente no Velho Testamento, era necessário o derramamento de sangue de um animal para o perdão dos pecados. Jesus traz o relacionamento do homem com Deus para um outro nível: agora, não mais precisamos sacrificar um ser vivo e usar seu sangue, pois Jesus fez isso ao derramar o próprio sangue para que se firmasse uma nova aliança com Deus.

Versículo 25: Com toda a certeza vos afirmo que não voltarei a beber do fruto da videira, até aquele dia em que beberei o vinho novo no Reino de Deus."

Versículo 12: E, depois de haverem cantado um salmo, partiram para o monte das Oliveiras.

Jesus aproveitava Seus últimos momentos de vida para ensinar e dar testemunho de tudo o que havia dito. Simbolicamente, mostra que está se sacrificando, mas faz isso porque cumpre a vontade de Deus.

Ele não se desespera nem reclama por ter sido traído. Aceita que é isso o que deve acontecer, e cumpre Sua missão até o fim. Não poderíamos esperar algo diferente daquele que foi o espírito mais evoluído que esteve encarnado entre nós.

Quando enfrentamos as pequenas mazelas do cotidiano e reclamamos por horas a fio, querendo que todos compartilhem do nosso sofrimento, tentando mostrar que a nossa dor é maior do que a de todos os outros e, mais que tudo, que sofremos injustamente, devemos refletir em como Jesus enfrentou Seus problemas. Se tinha alguém que não merecia qualquer sofrimento, sem dúvidas foi Ele. Se Jesus não reclamou, e temos Ele como o melhor exemplo a ser seguido, acho que devemos tentar fazer o mesmo.