segunda-feira, 17 de abril de 2017

Lucas 5.1-11

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 5


Versículo 1: E aconteceu que, num determinado dia, Jesus estava próximo ao lago de Genesaré, e uma multidão o espremia de todos os lados para ouvir a Palavra de Deus.

Lucas (o narrador deste Evangelho) se refere a um lago situado 220 metros abaixo do nível do mar, que mede 21 quilômetros de comprimento por 12 quilômetros de largura; também é citado, nos Evangelhos, como "mar da Galileia" ou "mar de Tiberíades".

Jesus estava próximo a esse lago quando a multidão que O cercava começou a se aproximar demasiadamente, pois queriam estar próximos a Ele a fim de ouvir o que Ele tinha para ensinar.

Versículo 2: Ele observou junto à beira do lago dois barcos, deixados ali pelos pescadores, que havendo desembarcado, cuidavam de lavar suas redes.

As redes de pesca precisavam ser mantidas em boas condições. Por isso, depois da pesca elas eram limpas, retirando-se os restos de vegetação que ficavam presas a elas, e eram feitos os reparos necessários.

Versículo 3: Então, entrou num dos barcos, o que pertencia a Simão, e lhe solicitou que o afastasse um pouco da praia. E, assentando-se do barco ensinava o povo.

O barco de Simão Pedro foi colocado de maneira que Jesus pudesse ser visto e ouvido por toda a multidão. Além disso, era um costume do povo judeu que o mestre, ao ensinar, estivesse sentado; a multidão deveria estar sentada também.

Versículo 4: Assim que acabou de ministrar , dirigiu-se a Simão e aos demais, e lhes pediu: "Ide para onde as águas são mais profundas e lançai as vossas redes para a pesca!"

Versículo 5: Ao que lhe replicou Simão: "Mestre, tendo trabalhado durante a noite toda, não pegamos nada. Todavia, confiando em Tua Palavra, lançaremos as redes."

Simão Pedro era um pescador experiente. Ele e seus companheiros trabalharam a noite toda, e não conseguiram pescar nada. Jesus manda que eles pesquem durante o dia, o que já era incomum.

Além de ser um carpinteiro, e não um pescador, Jesus era inexperiente no ofício de pescar. Mesmos assim, Pedro confia nEle, e diz que vai fazer o que Jesus está mandando.6

Nós, muitas vezes, ao executarmos uma tarefa, ouvimos uma voz interior que nos diz para fazermos exatamente o contrário do que estamos fazendo. Se esta voz interior nos dá a sensação de paz, possivelmente estamos recebendo uma ajuda espiritual. Cabe a nós decidirmos se vamos ou não seguirmos essa voz, pois temos a liberdade de escolha.

Versículo 6: Assim procederam e pegaram enorme quantidade de peixes, tanto que as redes começaram a se romper.

Quando agimos seguindo a direção que Deus nos dá, o resultado é sempre surpreendente.

Versículo 7: Por esse motivo acenaram aos seus amigos do outro barco , para que viessem ajudá-los. Eles chegaram e lotaram ambos os barcos, a ponto de começarem a afundar.

Quando seguimos um direcionamento de Deus, recebemos em abundância tudo o que se faz necessário.

Versículo 8: Diante de tamanho evento, Simão se prostrou aos pés de Jesus e declarou: "Afasta-te de mim, Senhor, pois sou homem pecador!"

Ao ver esse fato maravilhoso, a primeira reação de Pedro foi a de se sentir insignificante em relação à grandeza de Jesus. Também ficou maravilhado ao perceber que Jesus se importava com os fatos cotidianos da vida de simples pescadores.

Versículo 9: Porquanto, ele e seus companheiros estavam maravilhados com a pesca que haviam realizado,

Versículo 10: assim como de Tiago e João, os filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão. Todavia, Jesus revela a Simão: "Não tenhas medo; a partir deste momento tu serás um pescador de vidas humanas."

Versículo 11: Então eles arrastaram seus barcos para a praia, renunciaram a todas as coisas e seguiram a Jesus.

Esses humildes pescadores abandonaram a única maneira de viver que conheciam para seguirem Jesus. E nós reclamamos de gastar uma hora do nosso dia, uma única vez na semana, para nos dedicarmos a uma tarefa de auxílio ao próximo!

domingo, 9 de abril de 2017

Lucas 4.42-44

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 4


Versículo 42: Ao raiar do dia, Jesus foi para um lugar solitário. De outro lado, as multidões o procuravam, e assim que conseguiram chegar ao local onde Ele estava, suplicaram para que não as deixasse.

Jesus, em diversas situações, procurou ficar sozinho para orar. Como sempre estava cercado por uma multidão, levantou-se muito cedo para que pudesse desfrutar desses momentos a sós com Deus.

O encontro com Deus é mais intenso e profundo quando acontece no silêncio. Sem nada para interferir, interromper ou distrair, esse encontro se faz mais profundo.

Devemos reservar algum momento, durante o dia, para esse encontro. Não precisa ser demorado quanto à duração, mas tem que existir. Nem que  sejam apenas 60 segundos, mas durante esse tempo devemos ficar a sós com Deus. Se tornarmos isso um hábito, as mudanças que acontecerão em nosso interior se refletirão em nossa vida.

Por que a mudança acontece? É algo mágico, misterioso? Não, trata-se simplesmente de uma questão de ação e reação. Ao dedicarmos, todos os dias, alguns momentos a Deus, estamos reconhecendo que Ele é muito importante em nossas vidas. E isso é que vai trazer as modificações.

Versículo 43: Contudo, Ele ponderou: "É necessário que Eu anuncie também as Boas Novas do Reino de Deus em outras cidades, pois precisamente para isso fui enviado.

Versículo 44: E assim, prosseguia pregando pelas sinagogas da Palestina.

O reino de Deus, onde reina a paz e a justiça, precisava ser anunciado por Jesus ao maior número de pessoas possível. Por isso, Ele saiu de Cafarnaum e foi pregar.

Jesus trazia uma maneira nova, totalmente diferente, de se relacionar com Deus. Jesus vivia esse relacionamento no Seu cotidiano, por isso pregava com autoridade e convencia as pessoas de que o que pregava era verdadeiro.

O Espiritismo não vem pregar nada que seja diferente do que Jesus pregou. Vem trazer uma reflexão profunda sobre Sua mensagem, levando em consideração a reencarnação. Aí está a sua beleza e verdade. Como Jesus trouxe, a Seu tempo, um novo relacionamento com Deus, o Espiritismo traz uma nova maneira de entender os ensinamentos de Jesus. Por isso, devemos nos dedicar ao estudo do Espiritismo, para melhor entender a mensagem de Jesus e aplicar esses conhecimentos nas modificações que se fazem necessárias em nossas vidas.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Lucas 4.38-41

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 4


Versículo 38: Saindo da sinagoga dirigiu-se Jesus à casa de Simão. A sogra de Simão estava atormentada, ardendo em febre, e rogaram a Jesus que a ajudasse de alguma forma.

Jesus havia saído de Nazaré, onde havia crescido, e ido para Cafarnaum. Como era Seu costume, no sábado foi até a sinagoga para ensinar. Lá, "expulsou um demônio", ou seja, interrompeu um processo de obsessão.

Como era costume entre os judeus, depois de saírem da sinagoga eles se reuniam para compartilharem uma refeição. Jesus foi até a casa de Simão. A sogra dele estava doente, e pediram a Jesus que a ajudasse.

Versículo 39: Estando Ele em pé próximo a ela, inclinou-se e repreendeu aquela febre, que no mesmo instante se levantou e passou a servi-los.

Jesus realiza mais uma cura. Naquela época, onde praticamente não havia tratamento para nenhuma doença, essa cura causou um efeito enorme. O mais interessante é a reação da sogra de Simão Pedro: ela estava se lamentando por ter adoecido, e logo depois de ser curada, não ficou parada admirando o fato, simplesmente se levantou e foi servir a Jesus.

Quando alguma coisa maravilhosa nos acontece, corremos o risco de nos deslumbrar, não sabendo exatamente o que fazer. Corremos o risco de pensar que todo o nosso tempo deva ser gasto contando o que nos aconteceu, pois é isso que Deus espera de nós.

Temos o exemplo da sogra de Simão Pedro para nos orientar. Devemos imediatamente começar o nosso trabalho, pois essa é uma das formas mais bonitas de se servir a Deus.

Versículo 40: Ao cair da tarde, o povo trouxe à presença de Jesus todos os que tinha diversos tipos de doenças e Ele os curou, impondo suas mãos sobre cada um deles.

Versículo 41: Além disso, de várias pessoas saíram demônios gritando: "Tu és o Filho de Deus!" Ele, contudo, os repreendia e não permitia que se expressassem, pois sabiam que Ele era o Cristo.

Para os judeus, o período compreendido entre o entardecer da sexta-feira até o por-do-sol do sábado era sagrado, e eles não poderiam fazer nenhuma tarefa. Assim, as pessoas esperaram até o entardecer do sábado para procurarem Jesus.

Jesus curou os doentes que o procuravam, e afastou os espíritos que estavam obsediando algumas pessoas.Como se explica o fato de os espíritos obsessores pudessem saber que Jesus era o Messias, e as pessoas não O identificarem? É que os espíritos conseguiam ver de longe quem Jesus era, de fato, e não O viam apenas como o filho de um simples carpinteiro. Além disso, Jesus tinha planos, e não queria que Sua identidade fosse revelada antes do momento adequado. Por isso, impedia os obsessores de O chamarem de Messias (palavra hebraica) ou Cristo (a mesma palavra em grego).

terça-feira, 21 de março de 2017

Lucas 4.31-37

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 4


Versículo 31: Então Jesus desceu para Cafarnaum, cidade da Galileia, e, noutro sábado, começou a ensinar o povo.

Jesus estava em Nazaré, cidade que O havia visto crescer. Depois de ter sido batizado por João, no rio Jordão, voltou à Sua cidade. Quando tentou pregar lá, as pessoas não O aceitaram, pois naquele lugar Ele era simplesmente o filho de José e de Maria. Não conseguiam enxergar nada além disso. Então, Jesus vai para Cafarnaum, uma cidade próxima ao rio Jordão e às margens do mar da Galileia.

Versículo 32: E todos ficavam deslumbrados com o seu ensino, pois que sua palavra era ministrada com autoridade.

Jesus pregava com autoridade, pois tinha o conhecimento e colocava em prática tudo o que pregava. O conhecimento que tinha não era o de quem havia apenas se dedicado ao estudo das Escrituras, mas de quem conhecia profundamente a vontade de Deus.

Versículo 33: Entrementes, na sinagoga, havia um homem possesso do demônio, ou seja, de um espírito imundo, que berrou com toda a força:

Versículo 34: "Ah! Que tu queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste destruir a nós? Sei bem quem tu és: o Santo de Deus!"

A obsessão era conhecida, antigamente, como possessão. O espírito obsessor utiliza-se do plural para falar com Jesus, pois se trata de um grupo de espíritos que estavam atuando sobre aquele homem. O espírito, que falava em nome do grupo, vangloria-se de saber quem Jesus era, e que a aparência externa não o engana, pois enxergou a grandeza espiritual de Jesus.

Versículo 35: Mas Jesus o repreendeu, ordenando: "Fica quieto e sai deste homem!" Imediatamente o demônio jogou o homem no chão, perante todos, e saiu dele sem o ferir.

O espírito não "saiu" do homem. Ainda hoje temos pessoas que acreditam que o espírito obsessor entra no corpo daquele a quem obseda. Não é assim: ele atua sobre o perispírito da pessoa, atingindo assim o corpo dela.

Jesus, com toda a  autoridade moral que tinha, simplesmente manda o espírito obsessor se calar e deixar aquele homem em paz.

Versículo 36: Todas as pessoas ficaram maravilhadas e diziam umas às outras: "Que Palavra é esta? Pois até aos espíritos demoníacos Ele dá ordens com autoridade e poder, e eles se vão?"

Devemos compreender que não temos a mesma autoridade moral que a de Jesus. Portanto, numa reunião mediúnica, não podemos simplesmente mandar um obsessor se retirar. Através de estudos, temos que saber que estratégias utilizar. Recomento a leitura de "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec, e "Diálogo com as Sombras", de Hermínio C. Miranda.

Versículo 37: E as notícias a respeito de Jesus se espalhavam por todas as regiões vizinhas.

Além de falar como alguém que sabia o que estava dizendo, e não apenas como um repetidor dos textos sagrados, Jesus também causava admiração por demonstrar autoridade em relação aos espíritos obsessores. Tudo isso parecia ser novidade. Os sacerdotes daquela época não pareciam ter a mesma autoridade para ensinar que Jesus, nem a mesma ascendência sobre os espíritos obsessores, pois tudo isso vinha de Sua evolução espiritual.

Jesus tinha autoridade principalmente porque vivia de acordo com o que pregava. Essa é a única autoridade que pode ser imposta. O resto não passa de um título dado por homens que não possuem autoridade alguma para tal.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Lucas 4.16-30

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 4


Versículo 16: Jesus viajou para Nazaré, onde havia sido criado e conforme o seu costume, num dia de sábado, entrou na sinagoga. E posicionou-se em pé para fazer a leitura.

Jesus estava na Galileia, e todo sábado dirigia-se à sinagoga para ensinar, visto que, aos sábados, era permitido a um mestre visitante fazer a leitura dos textos sagrados e ensinar o seu significado. Suas pregações estavam sendo muito apreciadas.

Jesus então se dirige a Nazaré, onde havia crescido e, conforme Seu hábito, dirige-se à sinagoga em um sábado para ler um texto sagrado e explicar às pessoas.

Versículo 17: Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Desenrolando-o achou o lugar onde está escrito:

Os livros do Antigo Testamento, na época de Jesus, eram escritos em rolos de couro, guardados em um lugar especial e honroso na sinagoga e oferecidos ao pregador do dia ou ao mestre visitante. Jesus leu o texto de Isaías contido no capítulo 61, versículos 1 e 2.

Versículo 18: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para pregar o Evangelho aos pobres. Ele me enviou para proclamar a libertação dos aprisionados e a recuperação da vista aos cegos; para restituir a liberdade dos oprimidos,

Versículo 19: e promulgar a época da graça do Senhor."

Versículo 20: Em seguida, enrolou novamente o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. E na sinagoga todos estavam com os olhos fixos em sua pessoa.

Versículo 21: Então Ele começou a pregar-lhes: "Hoje se cumpriu a escritura que acabais de ouvir."

O texto  do livro de Isaías dizia respeito ao Messias. Dizia qual era a missão dele. E Jesus disse que Ele próprio era o Messias que todos esperavam há tanto tempo.

Versículo 22: E todos exclamavam maravilhas sobre Ele, e estavam admirados com as palavras de graça que saíam dos seus lábios. Mas questionavam entre si: "Não é este o filho de José?"

Embora os moradores de Nazaré reconhecessem que Jesus tinha algo de diferente, não aceitavam que Aquele que eles haviam visto crescer pudesse ser o Messias, simplesmente porque O conheciam desde o Seu nascimento.

Temos isto nos dias de hoje. As pessoas ficam presas a uma imagem, colocam um rótulo no outro e não querem enxergar que as pessoas mudam, desenvolvem-se, evoluem (e não foi para isso que fomos criados?).

Versículo 23: No entanto, Jesus lhes replicou: "Com toda a certeza citareis a mim o conhecido provérbio: 'Médico, cura-te a ti mesmo! Faze aqui em tua terra o que soubemos que fizeste em Cafarnaum!'"

Jesus sabia que não seria aceito em Nazaré, que duvidariam do que tinham ouvido falar que Ele havia feito em outros lugares.

Versículo 24: E continuou a falar Jesus: "Realmente vos afirmo: Nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra.

Versículo 25: No tempo de Elias, posso lhes afirmar com certeza, que havia muitas viúvas em Israel, quando o céu foi fechado por três anos e meio, e grande fome ocorreu em toda a terra.

Versículo 26: Contudo, Elias não foi mandado a nenhuma delas, senão somente a uma viúva de Sarepta, na região de Sidom.

O profeta Elias havia falado em nome de Deus: enquanto ele não desse uma ordem, não mais haveria chuva (este é o significado de "o céu foi fechado"). Conforme a orientação de Deus, Elias foi até Sarepta, onde uma viúva o ajudou, alimentando-o e dando-lhe abrigo.

Jesus disse que Elias foi enviado a uma cidade distante pois não confiariam num profeta se ele estivesse em sua própria cidade, pois o haviam visto crescer e não acreditariam que ele pudesse ser mais do que conseguiam enxergar nele.

Versículo 27: Assim também, no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel, mas nenhum deles foi purificado, a não ser Naamá, o sírio.

Segundo o relato do Antigo Testamento, Naamá era um chefe do exército do rei da Síria. Ele contraiu uma doença de pele, que foi curada por intermédio do profeta Eliseu.

Segundo o relato, foi necessário que uma pessoa de fora reconhecesse Eliseu como profeta, pois as pessoas de Israel não lhe davam valor.

Versículo 28: Então todos os que estavam na sinagoga foram tomados de grande raiva ao ouvirem tais palavras.

Versículo 29: E, levantando-se, expulsaram a Jesus da cidade, levando-o até o topo da colina sobre a qual a cidade havia sido edificada, com o propósito de jogá-lo de lá, precipício abaixo.

Versículo 30: Todavia, Jesus passou por entre eles, e seguiu seu caminho.

Os habitantes de Nazaré que estavam na sinagoga se enfureceram por Jesus dizer que Ele era o Messias. Enfureceram-se mais ainda quando Ele usou as Escrituras para dizer que, historicamente, um profeta nunca foi reconhecido em sua própria terra. Como não tinham mais argumentos, resolveram jogá-lo ladeira abaixo!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Lucas 4.14-15

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 4


Versículo 14: Então, Jesus retornou para a Galileia, no poder do Espírito, e por toda aquela região se espalhou sua fama.

Versículo 15: Ensinava nas sinagogas e, de todos, recebia manifestações de grande apreciação.

No início do capítulo 4, Lucas narra que Jesus, depois de ter sido batizado por João Batista no Rio Jordão, foi levado ao deserto, e lá foi tentado pelo Diabo por quarenta dias.

Conforme os ensinamentos do Espiritismo, que podemos confirmar no livro "A Gênese", escrito por Allan Kardec, no capítulo 15, itens 52 e 53, vemos que não é possível aceitar que Jesus, um espírito perfeito, possa ter sido tentado pelo Diabo. Em primeiro lugar, não existe "Diabo", pois fere a lógica a ideia de um ser dedicado eternamente ao mal, sem a menor possibilidade de se modificar, e quase tão poderoso quanto Deus. Assim como não existe a escuridão, mas apenas a ausência de luz, não existe o mal, mas sim a ausência do bem.

Pois bem, se o Diabo é tão esperto quanto as descrições que as igrejas costumam fazer dele, será que ele não percebeu quem era Jesus, e que seria inútil tentar fazer com que Ele caísse em erro?

Precisamos refletir um pouco: os livros contidos na Bíblia foram escritos em hebraico, e alguns foram escritos há mais de dois mil anos. A linguagem era diferente, o mundo que existia era diferente, o vocabulário era limitado ao que existia na época. E tudo isso fazia parte do contexto cultural daquele povo, naquela época. Esses livros foram traduzidos por pessoas que tinham uma ideologia que as orientava; pensando assim, se tivessem que optar pelo significado de determinado texto, é óbvio que optariam por aquilo que confirmasse a maneira que elas tinham de pensar. Muita coisa foi acrescentada e tirada desses livros. Por isso, devemos fazer uma interpretação literária, e não literal, do que está escrito na Bíblia.

Se usarmos a frase "está na Bíblia" para justificarmos o fato de que, por estar na bíblia tem que ser a verdade, necessitamos alargar os nossos horizontes. Para melhor compreensão, sugiro a leitura de "Cristianismo e Espiritismo", escrito por Leon Denis.

Podemos deduzir que, depois de um período de isolamento ("deserto" também pode ser traduzido por um lugar isolado), Jesus se sentiu espiritualmente fortalecido, e começou Seu ministério. Seus ensinamentos, Suas explicações das Escrituras acabaram por chamar a atenção das pessoas, pois Jesus falava com profundo conhecimento e, mais do que isso, com o coração.

Precisamos de conhecimento para termos o discernimento necessário. Não é porque algo está escrito em um livro espírita que isso é verdadeiro. O Espiritismo necessita de muito estudo e reflexão. Isso não deve ser motivo de desânimo. Ao contrário, estamos frente a um novo universo que aguarda ser descoberto e explorado. Mais do que isso, as verdades desta descoberta, se postas em prática, vão trazer incríveis modificações em nossas vidas.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Lucas 4.1-13

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 4


Versículo 1: Pleno do Espírito Santo, retornou Jesus do Jordão e foi conduzido pelo Espírito ao deserto,

Versículo 2: onde enfrentou as tentações do Diabo por quarenta dias. Durante todos esses dias não comeu nada e, ao fim desse período, estava faminto.

Para entendermos esse trecho do Evangelho sob a ótica espírita, precisamos recapitular certos preceitos da nossa Doutrina:
- a Bíblia foi escrita por seres humanos, e não por Deus; portanto, não basta justificar uma ideia dizendo somente: "está na bíblia". Como tudo o que existe, precisamos usar a razão para discernir os conceitos. Podemos até afirmar que a bíblia foi escrita sob inspiração de Deus, mas não diretamente por Ele;
- a bíblia foi escrita por diversos autores e, depois, traduzida inicialmente por representantes da Igreja Católica; certos trechos foram modificados para que confirmassem a doutrina católica;
- várias traduções foram feitas, sendo que cada uma delas procurou adaptar a tradução à sua maneira de pensar.

Depois de ter sido batizado por João Batista, Jesus foi levado para um lugar deserto. Se levarmos tudo ao pé da letra, acreditaremos que o Diabo foi tão forte que tentou o Filho de Deus (ou o próprio Deus, segundo a teologia católica) por quarenta dias.

Em primeiro lugar, o Espiritismo afirma que Deus e Jesus são seres diferentes. Deus é o Pai, o Criador de tudo o que existe. Jesus é o Seu filho amado, o espírito mais evoluído do qual temos notícia.

O Diabo, visto como um ser dedicado eternamente ao mal, em pé de igualdade com Deus, não existe. Se ele fosse como é descrito (poderoso, eterno, etc), seria tão poderoso quanto Deus, o que não é possível. O mal é a ausência do bem, e não existem seres dedicados eternamente ao mal. O que existe é um espírito ainda ignorante das leis do amor, que vai permanecer assim até que o processo evolutivo o leve a entender a vida de uma maneira diferente.

Não é possível acreditar que Jesus, um espírito perfeito, pudesse ser tentado pelo Diabo por quarenta dias. Esse relato é como uma parábola, que visa mostrar que nós também podemos ser tentados (mais pelo mal que existe dentro de nós do que por um espírito menos evoluído), e que precisamos resistir e perseverar no bem.

Em "A Gênese", livro escrito por Allan Kardec, no capítulo 15, itens 52 e 53, temos uma explicação sobre a tentação de Jesus, para quem quiser se aprofundar mais no assunto.

Versículo 3: Indagou-lhe, então, o Diabo: "Se tu é o Filho de Deus, ordena que esta pedra se transforme em pão."

Versículo 4: Então Jesus lhe contestou: "Está escrito: 'Nem só de pão viverá o ser humano.'"

Se o Diabo reconhece quem é Jesus, será que ele acreditava que Jesus fosse cair nessa armadilha? Depois de passar com Ele quarenta dias, o Diabo deveria saber melhor com quem estava tratando!

Neste relato simbólico, Jesus usa um texto do Antigo Testamento (Deuteronômio capítulo 8, versículos 13 a 16) para responder. Isso significa que precisamos ter conhecimento para nos livrarmos das tentações. Precisamos estudar, ler e meditar sobre as coisas de Deus.

Versículo 5: Então, o Diabo o levou a um lugar muito alto e lhe mostrou, em uma fração de tempo, todos os reinos do mundo.

Versículo 6: E lhe propôs: "Eu te darei todo o poder sobre eles e toda a glória destes reinos, porque me foram entregues e tenho autoridade para doá-los a quem bem entender.

Versículo 7: Portanto, se prostrado me adorares, tudo isso será teu!"

Versículo 8: Contudo Jesus lhe afirmou: "Está escrito: 'Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele darás culto!'"

Temos o Diabo dizendo ao Filho de Deus que o mundo inteiro tinha sido dado a ele. Quem acredita que Deus deu o mundo todo ao Diabo para que ele pudesse nos atormentar com suas tentações, disputando nossas almas com Deus, faz uma imagem muito imperfeita de Deus.

Esse é mais um simbolismo: temos as tentações do mundo. A todo momento, somos levados a pensar que devemos conquistar o mundo material. Mas isso não é verdade. A verdade é expressa pela fala de Jesus: devemos adorar somente a Deus, e não ao "deus dinheiro".

Versículo 9: Em seguida o Diabo o levou para Jerusalém, e o colocou sobre a parte mais alta do templo, e o desafiou: "Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui para baixo.

Versículo 10: Pois, como está escrito: 'Aos seus anjos ordenará a teu respeito, para que te protejam;

Versículo 11: eles te sustentarão sobre suas mãos para que não batas com teu pé contra alguma pedra!"

Versículo 12: Repreendeu-lhes Jesus: "Dito está! 'Não tentarás o Senhor teu Deus!'"

Versículo 13: E assim, tendo concluído todo o tipo de tentação, o Diabo afastou-se dele até o tempo oportuno.

Temos o Diabo citando o Salmo 91, versículos 11 e 12. Será que, além de ser eternamente dedicado ao mal, ele também era um exímio estudioso dos textos bíblicos?

O simbolismo contido aí diz que os espíritos dedicados, ainda que provisoriamente, ao mal não são obrigatoriamente ignorantes em termos de religião. Muitos demonstram profundo conhecimento, e usam esse conhecimento para distorcerem o sentido correto das coisas. Este é mais um incentivo para que estudemos os assuntos religiosos de maneira diligente, pois senão corremos o risco de sermos enganados.

Quando Jesus diz que não devemos tentar Deus, o assunto é muito complexo. Quando O tentamos? Quando dizemos que só acreditaremos nEle se determinada coisa acontecer ou deixar de acontecer, quando O chantageamos para conseguir o que queremos (ao fazermos "promessas", é chantagem o que fazemos), ou ao fazermos outras pequenas tolices, próprias de espíritos ignorantes das leis imortais.

O texto conclui ainda dizendo que o Diabo não acabou o seu serviço, que estava esperando a oportunidade para retornar e tentar Jesus novamente.

Ao lermos os textos bíblicos, precisamos ter muito  cuidado para não interpretarmos tudo ao pé da letra e tirarmos conclusões que não são verdadeiras. Existem numerosas obras espíritas dedicadas ao estudo, além de palestras disponíveis na internet. Bom estudo a todos.