sábado, 19 de agosto de 2017

Lucas 6.27-36

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 6


Versículo 27: Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam,

Versículo 28: abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam.

Em grego (língua na qual foi escrito o Evangelho por Lucas), existiam várias palavras para significar "amor":
- storge: afeição natural;
- philia: amor amizade;
- eros: amor romântico, erótico, sensual.
A expressão usada por Jesus foi "agape", que significa o amor perdão, misericórdia, graça, compreensão, paciência, sacrifício.

O ensinamento de Jesus é uma evolução das leis de Moisés, que ensinavam que Deus era cruel e vingativo. Jesus manda que oremos por aqueles que nos causam mal. Nada de "olho por olho, dente por dente" das leis de Moisés. A regra de Jesus é o amor. Sem vinganças, mas com perdão. E mostra a necessidade de orarmos por aqueles que mais precisam de oração: os que encontram prazer em prejudicar o próximo.

Versículo 29: Se alguém lhe bater numa face, ofereça-lhe também a outra. Se alguém lhe tirar a capa, não o impeça de tirar-lhe a túnica.

Jesus se referia à antiga lei que previa a pena de morte para diversos crimes (podem ser encontradas em Êxodo capítulo 21, versículos 12 a 35). Ele traz uma nova lei, mais adequada ao Deus Pai, pleno de amor: ao sermos decepcionados, traídos ou mesmo agredidos, não devemos guardar amargura contra a humanidade e generalizar; devemos nos abrir a novas oportunidades (o que significa "dar a outra face").

Jesus nos ensina que, para sermos felizes, precisamos ser controlados pelo amor "agape", não reagindo com ódio quando alguém nos priva ou rouba de nossos bens materiais.

Versículo 30: Dê a todo aquele que lhe pedir, e se alguém tirar o que pertence a você, não lhe exija que o devolva.

Esse é um ensinamento difícil de ser colocado em prática, pois não possuímos os objetos, mas (devido à nossa inferioridade moral) somos possuídos por eles.

Como muitas outras qualidades, o desapego também pode ser exercitado e desenvolvido através de ações conscientes. Vamos nos propor a, pelo menos uma vez no dia, exercitar o que este versículo nos ensina. Ao final de algum tempo, estaremos fazendo isso com naturalidade, sem esforços.

Versículo 31: Como vocês querem que os outros lhes façam, façam também vocês a eles.

Isto é muito simples de entender, mas temos pessoas que acreditam que essa regra não diz respeito a elas. Elas acreditam que podem tratar mal todo mundo, mas merecem ser bem tratadas sempre. Têm a ideia de que são melhores do que os outros.

Se achamos que merecemos ser bem tratados, devemos começar por tratar bem as pessoas. Se queremos respeito, carinho e atenção, devemos agir assim com as pessoas. Fica tudo muito parecido com a lei da física que diz que a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade. Simples assim.

Versículo 32: "Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os pecadores amam aos que os amam.

Versículo 33: E que mérito terão, se fizerem o bem àqueles que são bons para vocês? Até os pecadores agem assim.

Versículo 34: E que mérito terão, se emprestarem a pessoas de quem esperam devolução? Até os pecadores emprestam a pecadores, esperando receber devolução integral.

Jesus nos ensina que, se fizermos o bem apenas às pessoas que também nos fazem o bem, não temos mérito algum nessa ação, pois a pior das criaturas é capaz de amar as pessoas que as amam. O amor "agape" pede que consigamos ir além.

Versículo 35: Amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes o bem e emprestem a eles, sem esperar receber nada de volta. Então, a recompensa que terão será grande e vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso para  com os ingratos e maus.

Versículo 36: Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso.

A palavra "amar" é um verbo, e um verbo indica ação. Deve ser uma atitude consciente, um alvo a ser atingido. O amor cristão implica em romper as fronteiras do comum, de buscar o extraordinário: o amor universal, aquele mesmo amor que Jesus sente por nós. Não podemos oferecer nada menos do que isso aos nossos irmãos. E se alguém tiver dificuldade em entender esse amor, estude com profundidade e atenção a mensagem deixada por Jesus, que foi o amor encarnado.



domingo, 13 de agosto de 2017

Lucas 6.20-26

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 6



Versículo 20: Olhando para os seus discípulos, ele disse: "Bem-aventurados vocês, os pobres, pois a vocês pertence o Reino de Deus.

Alguns estudiosos acreditam que o relato de Lucas é sobre o sermão registrado por Mateus nos capítulos 5 a 7. Outros acreditam que se trata de um sermão feito em diferente situação. Outros ainda acreditam que este não foi um sermão, mas sim um compêndio, isto é, um resumo da doutrina de Jesus.

Jesus diz que o reino dos céus, o reino onde impera a justiça e a equidade, é destinado aos pobres, ou seja, àqueles que não estão em busca da riqueza material. Não se pode almejar enriquecer materialmente e espiritualmente ao mesmo tempo, pois existe um profundo conflito de interesses, e os objetivos são completamente diferentes.

Versículo 21: Bem-aventurados vocês, que agora têm fome, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados vocês, que agora choram, pois haverão de rir.

A expressão "bem-aventurado" significa "feliz". Jesus disse que aquele que tem fome é feliz. Podemos ter diversos entendimentos sobre isso:
- feliz daquele que, no momento, passa por necessidade, pois isto pode ser uma fonte de aprendizado muito enriquecedor no sentido espiritual;
- segundo Mateus, bem-aventurados os que têm fome de justiça, pois terão sua fome saciada;
- feliz daquele que "tem fome", aquele que está em busca de algo que lhe falta. Só pode encontrar alguma coisa aquele que busca, aquele que acredita que está faltando algo em sua vida.

Que consolo pode haver para aquele que sofre? Jesus disse que os que sofrem são felizes, pois haverão de sorrir. Vamos pegar um exemplo de onde o Espiritismo, conforme se propõe, vem explicar e aprofundar a mensagem de Jesus. Uma mãe que perde um filho vai ter poucos motivos para sorrir, a menos que ela acredite que exista vida após a morte, e tudo o que acontece conosco tem um propósito. Tanto a morte do filho quanto o sofrimento pelo qual esta mãe está passando tem uma causa, e se Deus é justo e bom, a causa deste sofrimento deve ser justa. Olhando a existência como uma sucessão de nascimentos e mortes, tudo faz mais sentido.

Versículo 22: Bem-aventurados serão vocês, quando os odiarem, expulsarem e insultarem, e eliminarem o nome de vocês, como sendo mau, por causa do Filho do homem.

Não devemos pensar que este versículo é uma exaltação ao radicalismo religioso, dizendo que não devemos ver problemas no fato de causarmos mal estar nos outros por causa de nossas crenças religiosas.

A ideia a ser transmitida é que não devemos nos preocupar quando, em decorrência de nossas atitudes como verdadeiros cristãos, sofremos algum tipo de discriminação. As pessoas, no geral, dizem uma coisa e fazem outra. Se falarmos e agirmos como cristãos, isso vai causar incômodo, pois isso contraria o "senso comum", o que a sociedade espera das pessoas. Jesus diz que seremos felizes, e não há motivo para duvidarmos disso.

Versículo 23: Regozijem-se nesse dia e saltem de alegria, porque grande é a sua recompensa no céu. Pois assim os antepassados deles trataram os profetas.

No passado, os profetas (aqueles que falam em nome de Deus) sofreram perseguições e muitos foram mortos. Isso aconteceu porque o que transmitiam (a mensagem de Deus) contrariava o que a maioria das pessoas pensava. Nós, espíritas, que devemos falar e agir de acordo com os ensinamentos de Jesus e não de acordo com o que a sociedade faz, estamos sujeitos a diversas contrariedades também.

Não devemos pensar que, por agirmos de acordo com os ensinamentos cristãos, a sociedade vai nos aplaudir e ter em conta de grandes pessoas. Nossas atitudes vão contrariar muitos interesses e, mais do que isso, servir como um espelho, mostrando o que as pessoas não querem enxergar. Jesus já nos alertava sobre isso, e dizia que o nosso trabalho não é vão, pois nossa evolução espiritual cresce através desta atitude.

Versículo 24: Mas ai de vocês, os ricos, pois já receberam a sua consolação.

Versículo 25: Ai de vocês, que agora têm fartura, porque passarão fome. Ai de vocês, que agora riem, pois haverão de se lamentar e chorar.

Versículo 26: Ai de vocês, quando todos falarem bem de vocês, pois assim os antepassados deles trataram os falsos profetas.

A mensagem de Jesus é muito clara: quem escolher as recompensas vindas da vida material, já terá recebido tudo a que tinha direito nessa vida, ou seja, não acumulou nenhum benefício para a vida espiritual.

Não existem dois caminhos: ou vivemos com os olhos voltados para a vida espiritual, ou para a vida material. As consequências das escolhas de cada caminho estão muito bem explicadas por Jesus. Cada um deve fazer a sua opção.

domingo, 30 de julho de 2017

Lucas 6.17-19

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 6


Versículo 17: Então, desceu Jesus com os apóstolos e parou num lugar plano. Estavam ali reunidos muitos dos seus discípulos, e uma enorme multidão vinda de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sidom,

Versículo 18: pessoas que vieram para serem ensinadas por Ele e curadas de suas doenças. Aqueles que eram atormentados por espíritos impuros foram curados,

Versículo 19: e cada pessoa da multidão procurava tocar nele, pois dele emanava poder que curava a todos.

Jesus tinha escolhido Seus doze apóstolos dentre os que eram Seus discípulos.
Discípulo: aprendiz, aluno receptivo a ensinamentos.
Apóstolo: cada um dos doze discípulos de Jesus encarregados de difundir a palavra de Deus.

Assim, Jesus tinha numerosos discípulos, que eram pessoas que O acompanhavam e que eram por Ele ensinadas. Destes, Jesus escolheu doze para serem Seus apóstolos; eles teriam um convívio mais íntimo com Jesus, compartilhando o dia a dia, e receberiam ensinamentos mais aprofundados.

Temos uma multidão que estava em volta de Jesus. Essas pessoas procuravam várias coisas:
- ensinamentos: a religião, na época de Jesus, era ensinada de maneira burocrática, restringindo-se ao cumprimento de uma série de regras. Perdeu-se o foco, que seria aproximar o homem de Deus;
- cura de doenças: a medicina daquela época estava apenas engatinhando, e além disso só estava acessível a quem pudesse pagar por ela, o que custava muito caro. Uma pessoa que curasse de verdade era um achado e tanto;
- desobsessão: pessoas atormentadas por espíritos não é uma novidade inventada pelo Espiritismo. O Evangelho está repleto de relatos sobre isso. Jesus tinha o poder de curar todos os processos obsessivos.

As pessoas percebiam a imensa energia que emanava de Jesus, e que essa energia tinha o poder de curar. De onde vinha essa energia? Da imensa evolução espiritual de Jesus, inigualável até hoje. Mas sobretudo do amor imenso que ele sentia pelas pessoas. Foi devido a esse amor que Jesus decidiu encarnar e ensinar às pessoas como se aproximarem de Deus. Foi também por causa desse amor que Ele curou tanto as doenças espirituais quanto as físicas. E foi o amor que Ele veio ensinar. Segundo Suas palavras, todas as leis e todos os ensinamentos dos profetas poderiam ser resumidos no amor: a Deus e ao próximo.

Como nós somos seres imperfeitos, mas rumando à perfeição, ainda precisamos estudar muito para compreender o amor, e nos esforçarmos todos os dias para o praticar. Jesus simplesmente viveu o amor.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Lucas 6.12-16

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 6


Versículo 12: E ocorreu naquela ocasião que Jesus se retirou para um monte a fim de orar, e atravessou toda a noite em oração a Deus.

Antes de um momento importante, Jesus se retirava para orar. Vemos essa descrição em muitos trechos dos Evangelhos.

Jesus orava a Deus antes de se decidir. Nós fazemos o contrário: tomamos geralmente uma decisão de maneira apressada. Quando não dá certo, rezamos e pedimos a ajuda de Deus.

Se quisermos ter melhoras em nossas vidas, evitando aborrecimentos, devemos aprender com Jesus: orarmos antes de nos decidirmos, pedindo a Deus que nos dê uma direção. E o mais importante: aceitarmos o direcionamento dado por Ele.

Versículo 13: Logo ao nascer do dia, convocou seus discípulos e escolheu dentre eles doze, a quem também designou como apóstolos.

Discípulo: aprendiz, aluno receptivo a ensinamentos.
Apóstolo: alguém que recebeu comissão e autoridade explícitos daquele que o enviou todavia sem o poder para transferir seus atributos a outra pessoa. Enviado para uma missão específica.

A descrição deste Evangelho é um pouco diferente do que encontramos nos outros: Jesus tinha muitas pessoas que O seguiam e a quem ensinava, e destas pessoas escolheu doze para serem Seus apóstolos, os quais teriam um convívio mais próximo com Ele e receberiam ensinamentos mais profundos.

Os outros evangelhos dizem que Jesus escolheu Seus discípulos entre pescadores que encontrou.

Versículo 14: Simão, a quem deu o nome de Pedro; seu irmão André; Tiago; João; Filipe; Bartolomeu;

Versículo 15: Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, conhecido como Zelote;

Versículo 16: Judas, filho de Tiago; e Judas Iscariotes, que se tornou traidor.

Os apóstolos nem sempre foram referidos nos textos por um único nome: Simão às vezes é chamado de Pedro ou Cefas; Mateus também era conhecido como Levi; acredita-se que Bartolomeu fosse um outro nome de Natanael; Judas, filho de Tiago, também era chamado de Tadeu.

Fica a mensagem de Jesus: antes de tomarmos uma decisão importante, devemos procurar um local tranquilo, isolado e nos colocarmos em oração. Sentiremos uma profunda mudança em nossas vidas a partir do momento que fizermos isso: orar antes, e não depois de nos decidirmos.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Lucas 6.6-11

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 6


Versículo 6: Num outro sábado, Ele entrou na sinagoga e iniciou o seu ensino; e estava ali um homem cuja mão direita era atrofiada.

Versículo 7: Os doutores da Lei e os fariseus estavam ávidos para achar algum motivo pelo qual pudessem acusar Jesus; e por isso o observavam com toda a atenção, a fim de perceber se Ele o havia de curar durante o sábado.

Segundo a lei de Moisés, eram proibidas atividades no sábado (que começava no anoitecer da sexta-feira e ia até o anoitecer do sábado). Os líderes religiosos argumentavam que curar alguém era praticar a medicina e, portanto, proibido no sábado. Para eles, era mais importante o cumprimento da lei do que o alívio do sofrimento de uma pessoa.

Versículo 8: Todavia, Jesus tinha conhecimento do que eles pensavam, mesmo assim pediu ao homem da mão atrofiada: "Levanta-te, vem à frente e permanece em pé aqui no meio." E o homem se levantou a atendeu a Ele.

Enquanto os fariseus faziam tudo às ocultas, esgueirando-se para onde Jesus ia a fim de O espionar, Jesus chamava o homem para o centro da sinagoga, onde todos poderiam ver o que estava acontecendo.

Versículo 9: Jesus então dirigiu-se a eles: "Eu vos apresento uma questão: O que é permitido realizar no sábado: o bem ou o mal? Salvar uma vida ou destruí-la?"

Jesus queria fazer com que as pessoas presentes refletissem sobre o significado de cumprir as leis. Ele queria mostrar que as leis eram importantes apenas para indicar o caminho até Deus, e que o importante era o relacionamento com Deus, e não as leis.

Ele pergunta o que era importante: fazer o bem, curando uma pessoa, ou fazer o mal ao cumprir uma lei criada pelos homens.

Versículo 10: E Jesus olha atentamente para cada um dos que estão à sua volta e ordena ao homem: "Estende a tua mão!" O homem a estendeu, e ela foi instantaneamente restaurada.

Versículo 11: Contudo, eles ficaram enraivecidos e começaram a tramar entre si sobre que fim dariam a Jesus.

Aquelas pessoas estavam num local sagrado, onde eram ensinadas as leis de Deus, e tinham acabado de presenciar um homem ser curado. Entretanto, a única coisa que lhes interessava era dizer que Jesus não podia curar num sábado!

Ninguém parecia notar o quanto era extraordinário o que Jesus dizia, nem as curas que realizava. Só merecia atenção se Ele curaria num sábado ou não.

E essas pessoas, os doutores da lei, encarregados de ensinar o povo sobre as leia de Deus, num local sagrado procuram uma maneira de matar Jesus, pois Ele não respeitava as leis que os homens tinham criado! Isso tudo é um completo absurdo!

Precisamos ter cuidado para que isso não continue a acontecer nos dias de hoje. Discussões religiosas inúteis não são muito diferentes do que os fariseus fizeram na época de Jesus.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Lucas 6.1-5

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 6


Versículo 1: Em um certo dia de sábado, enquanto Jesus caminhava pelos campos, onde se plantavam cereais, seus discípulos começaram a colher e a debulhar espigas com as mãos, e se alimentavam dos grãos.

Segundo a lei mosaica, temos: "Quando entrares na plantação de trigo do teu próximo poderás colher as espigas com a mão, mas não uses a foice para ceifar o trigo do teu próximo" (Dt 23.25). Assim, a lei permitia que as pessoas que estivessem passando por uma plantação pudesse colher alguma coisa para matar a fome.

Pela tradição legalista judaica, seguida pelos fariseus, eram proibidas 39 atividades no sábado, sendo a colheita uma delas. Os fariseus foram mais longe, e descreveram os diferentes tipos de colheita que poderiam ou não ser feitas.

Assim, os discípulos de Jesus não infringiram nem a lei sobre colher no campo de outra pessoa, nem a que proibia atividades no sábado. Embora violassem as leis dos fariseus, não violaram as leis de Moisés.

Versículo 2: Foi quando alguns dos fariseus os inquiriu: "Por que fazeis o que não é permitido durante o sábado?"

Os fariseus se mostravam tão preocupados com o cumprimento das regras que eles próprios criaram que se esqueceram de que a Lei era apenas uma maneira de ensinar o homem a se relacionar com Deus. Não era uma meta a ser atingida, mas um meio para se chegar a um determinado fim.

Versículo 3: Então Jesus os questionou: "Nem ao menos tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os seus companheiros?

Versículo 4 : Pois ele entrou na casa de Deus e, tomando os pães da Presença, alimentou-se do que apenas aos sacerdotes era permitido comer, e os entregou de igual modo aos seus amigos."

Toda semana, doze pães consagrados, que representavam as doze tribos de Israel, eram colocados em uma mesa no Templo. Eram os "pães da presença". Depois de serem distribuídos, os pães poderiam ser comidos apenas pelos sacerdotes.

No episódio citado por Jesus, Davi e seus soldados, ao fugirem de Saul, entram no Templo para se esconderem, e comem os pães da proposta. A necessidade (fome) era mais importante do que as regras.

Versículo 5: E Jesus lhes asseverou: "O Filho do homem é Senhor do sábado!"

Jesus reforça a ideia de que as regras não são mais importantes do que o relacionamento pessoal com Deus.

domingo, 28 de maio de 2017

Lucas 5.33-39

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 5


Versículo 33: Em seguida eles lhes observaram: "Os discípulos de João jejuam e oram com grande frequência, assim como os discípulos dos fariseus; no entanto, os teus vivem comendo e bebendo."

Jesus estava em um banquete oferecido por Levi, também conhecido como Mateus (um dos doze discípulos de Jesus e autor do primeiro Evangelho). Lá, os escribas e fariseus O haviam criticado porque estava em companhia de publicanos (coletores de impostos).

Não contentes com a crítica a Jesus, os fariseus e os escribas também criticaram os discípulos de Jesus, pois eles não agiam da mesma maneira que os discípulos de João Batista.

Versículo 34: Jesus então lhes propôs: "Podeis fazer jejuar os convidados para o casamento enquanto está com eles o próprio noivo?

Versículo 35: Contudo, dias virão em que lhes será tirado o noivo; naqueles dias, verdadeiramente jejuarão."

Jesus explica que Seus discípulos não devem se entristecer, pois Ele está presente. Depois de Sua morte, eles irão enfrentar tristeza e dificuldades, e aí jejuarão.

Versículo 36: E lhes acrescentou essa parábola para pensar: "Ninguém tira um remendo de roupa nova e o costura sobre roupa velha; se o fizer, certamente estragará a roupa nova; e, além disso, o remendo novo jamais se ajustará à roupa velha.

Jesus era a "roupa nova", pois trazia uma nova maneira do homem se relacionar com Deus.

Não se deve cortar uma roupa nova para remendar uma velha. Não adianta tentarmos colocar uma parte dos ensinamentos de Jesus ("remendo de roupa nova") numa "roupa velha" (antigas tradições), pois estaremos mutilando a roupa nova (os ensinamentos de Jesus), e deformando a "roupa velha", pois o "remendo novo" não vai se adaptar às velhas estruturas.

Jesus diz que ele é a "roupa nova", ou seja, trazia a nova maneira de o homem se relacionar com Deus. O judaísmo era a "roupa velha", que trazia a maneira antiga desse relacionamento se estabelecer. Ele afirma que não poderia mutilar os Seus ensinamentos para que eles se adequassem às antigas tradições.

Versículo 37: Da mesma maneira, não há alguém que coloque vinho novo em um recipiente de couro velho. Ora, se o fizer, o vinho novo, ao fermentar, arrebentará o recipiente, se derramará e danificará o recipiente onde fora colocado.

Versículo 38: Ao contrário! O vinho novo deve ser posto em um recipiente de couro novo.

Versículo 39: Pois pessoa alguma, depois de beber o vinho velho, prefere o novo; porquanto se dia: "o vinho velho é bom o suficiente."

O vinho novo era colocado em recipientes de couro para fermentar. Ao fermentar, produzia gases, o que fazia com que seu volume aumentasse, dilatando o recipiente. Se o vinho novo fosse colocado em um recipiente de couro velho, que tem uma capacidade muito limitada de se dilatar, acabaria por romper o couro, destruindo-o.

Assim também os ensinamentos de Jesus não podem ser colocados numa estrutura religiosa rígida, pois naturalmente vão se expandir, e se a estrutura onde estiverem não for flexível o suficiente, acabará por ser destruída.

O Espiritismo deve ter uma estrutura bastante flexível, que se adapte constantemente à evolução do homem. A nossa cultura já não é a mesma que a da época em que Kardec a codificou. Pequenas adaptações são feitas constantemente, embora os fundamentos permaneçam os mesmos.

Jesus alerta para o fato de as pessoas que estão acostumadas com "vinho velho" (antigas tradições) não aceitarem o "vinho novo", pois dizem que o vinho velho é sempre melhor. Isso pode ser verdadeiro para vinhos, mas não para o ensinamento vivo de Jesus.

Vemos pessoas acostumadas a antigas estruturas religiosas e que querem introduzir essas estruturas no Espiritismo. Isso não faz sentido, pois o Espiritismo veio para retomar o sentido original dos ensinamentos de Jesus, não para reforçar ideias equivocadas. Por isso, não temos cerimônias no Espiritismo.