terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Lucas 4.16-30

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 4


Versículo 16: Jesus viajou para Nazaré, onde havia sido criado e conforme o seu costume, num dia de sábado, entrou na sinagoga. E posicionou-se em pé para fazer a leitura.

Jesus estava na Galileia, e todo sábado dirigia-se à sinagoga para ensinar, visto que, aos sábados, era permitido a um mestre visitante fazer a leitura dos textos sagrados e ensinar o seu significado. Suas pregações estavam sendo muito apreciadas.

Jesus então se dirige a Nazaré, onde havia crescido e, conforme Seu hábito, dirige-se à sinagoga em um sábado para ler um texto sagrado e explicar às pessoas.

Versículo 17: Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Desenrolando-o achou o lugar onde está escrito:

Os livros do Antigo Testamento, na época de Jesus, eram escritos em rolos de couro, guardados em um lugar especial e honroso na sinagoga e oferecidos ao pregador do dia ou ao mestre visitante. Jesus leu o texto de Isaías contido no capítulo 61, versículos 1 e 2.

Versículo 18: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para pregar o Evangelho aos pobres. Ele me enviou para proclamar a libertação dos aprisionados e a recuperação da vista aos cegos; para restituir a liberdade dos oprimidos,

Versículo 19: e promulgar a época da graça do Senhor."

Versículo 20: Em seguida, enrolou novamente o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. E na sinagoga todos estavam com os olhos fixos em sua pessoa.

Versículo 21: Então Ele começou a pregar-lhes: "Hoje se cumpriu a escritura que acabais de ouvir."

O texto  do livro de Isaías dizia respeito ao Messias. Dizia qual era a missão dele. E Jesus disse que Ele próprio era o Messias que todos esperavam há tanto tempo.

Versículo 22: E todos exclamavam maravilhas sobre Ele, e estavam admirados com as palavras de graça que saíam dos seus lábios. Mas questionavam entre si: "Não é este o filho de José?"

Embora os moradores de Nazaré reconhecessem que Jesus tinha algo de diferente, não aceitavam que Aquele que eles haviam visto crescer pudesse ser o Messias, simplesmente porque O conheciam desde o Seu nascimento.

Temos isto nos dias de hoje. As pessoas ficam presas a uma imagem, colocam um rótulo no outro e não querem enxergar que as pessoas mudam, desenvolvem-se, evoluem (e não foi para isso que fomos criados?).

Versículo 23: No entanto, Jesus lhes replicou: "Com toda a certeza citareis a mim o conhecido provérbio: 'Médico, cura-te a ti mesmo! Faze aqui em tua terra o que soubemos que fizeste em Cafarnaum!'"

Jesus sabia que não seria aceito em Nazaré, que duvidariam do que tinham ouvido falar que Ele havia feito em outros lugares.

Versículo 24: E continuou a falar Jesus: "Realmente vos afirmo: Nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra.

Versículo 25: No tempo de Elias, posso lhes afirmar com certeza, que havia muitas viúvas em Israel, quando o céu foi fechado por três anos e meio, e grande fome ocorreu em toda a terra.

Versículo 26: Contudo, Elias não foi mandado a nenhuma delas, senão somente a uma viúva de Sarepta, na região de Sidom.

O profeta Elias havia falado em nome de Deus: enquanto ele não desse uma ordem, não mais haveria chuva (este é o significado de "o céu foi fechado"). Conforme a orientação de Deus, Elias foi até Sarepta, onde uma viúva o ajudou, alimentando-o e dando-lhe abrigo.

Jesus disse que Elias foi enviado a uma cidade distante pois não confiariam num profeta se ele estivesse em sua própria cidade, pois o haviam visto crescer e não acreditariam que ele pudesse ser mais do que conseguiam enxergar nele.

Versículo 27: Assim também, no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel, mas nenhum deles foi purificado, a não ser Naamá, o sírio.

Segundo o relato do Antigo Testamento, Naamá era um chefe do exército do rei da Síria. Ele contraiu uma doença de pele, que foi curada por intermédio do profeta Eliseu.

Segundo o relato, foi necessário que uma pessoa de fora reconhecesse Eliseu como profeta, pois as pessoas de Israel não lhe davam valor.

Versículo 28: Então todos os que estavam na sinagoga foram tomados de grande raiva ao ouvirem tais palavras.

Versículo 29: E, levantando-se, expulsaram a Jesus da cidade, levando-o até o topo da colina sobre a qual a cidade havia sido edificada, com o propósito de jogá-lo de lá, precipício abaixo.

Versículo 30: Todavia, Jesus passou por entre eles, e seguiu seu caminho.

Os habitantes de Nazaré que estavam na sinagoga se enfureceram por Jesus dizer que Ele era o Messias. Enfureceram-se mais ainda quando Ele usou as Escrituras para dizer que, historicamente, um profeta nunca foi reconhecido em sua própria terra. Como não tinham mais argumentos, resolveram jogá-lo ladeira abaixo!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Lucas 4.14-15

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 4


Versículo 14: Então, Jesus retornou para a Galileia, no poder do Espírito, e por toda aquela região se espalhou sua fama.

Versículo 15: Ensinava nas sinagogas e, de todos, recebia manifestações de grande apreciação.

No início do capítulo 4, Lucas narra que Jesus, depois de ter sido batizado por João Batista no Rio Jordão, foi levado ao deserto, e lá foi tentado pelo Diabo por quarenta dias.

Conforme os ensinamentos do Espiritismo, que podemos confirmar no livro "A Gênese", escrito por Allan Kardec, no capítulo 15, itens 52 e 53, vemos que não é possível aceitar que Jesus, um espírito perfeito, possa ter sido tentado pelo Diabo. Em primeiro lugar, não existe "Diabo", pois fere a lógica a ideia de um ser dedicado eternamente ao mal, sem a menor possibilidade de se modificar, e quase tão poderoso quanto Deus. Assim como não existe a escuridão, mas apenas a ausência de luz, não existe o mal, mas sim a ausência do bem.

Pois bem, se o Diabo é tão esperto quanto as descrições que as igrejas costumam fazer dele, será que ele não percebeu quem era Jesus, e que seria inútil tentar fazer com que Ele caísse em erro?

Precisamos refletir um pouco: os livros contidos na Bíblia foram escritos em hebraico, e alguns foram escritos há mais de dois mil anos. A linguagem era diferente, o mundo que existia era diferente, o vocabulário era limitado ao que existia na época. E tudo isso fazia parte do contexto cultural daquele povo, naquela época. Esses livros foram traduzidos por pessoas que tinham uma ideologia que as orientava; pensando assim, se tivessem que optar pelo significado de determinado texto, é óbvio que optariam por aquilo que confirmasse a maneira que elas tinham de pensar. Muita coisa foi acrescentada e tirada desses livros. Por isso, devemos fazer uma interpretação literária, e não literal, do que está escrito na Bíblia.

Se usarmos a frase "está na Bíblia" para justificarmos o fato de que, por estar na bíblia tem que ser a verdade, necessitamos alargar os nossos horizontes. Para melhor compreensão, sugiro a leitura de "Cristianismo e Espiritismo", escrito por Leon Denis.

Podemos deduzir que, depois de um período de isolamento ("deserto" também pode ser traduzido por um lugar isolado), Jesus se sentiu espiritualmente fortalecido, e começou Seu ministério. Seus ensinamentos, Suas explicações das Escrituras acabaram por chamar a atenção das pessoas, pois Jesus falava com profundo conhecimento e, mais do que isso, com o coração.

Precisamos de conhecimento para termos o discernimento necessário. Não é porque algo está escrito em um livro espírita que isso é verdadeiro. O Espiritismo necessita de muito estudo e reflexão. Isso não deve ser motivo de desânimo. Ao contrário, estamos frente a um novo universo que aguarda ser descoberto e explorado. Mais do que isso, as verdades desta descoberta, se postas em prática, vão trazer incríveis modificações em nossas vidas.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Lucas 4.1-13

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 4


Versículo 1: Pleno do Espírito Santo, retornou Jesus do Jordão e foi conduzido pelo Espírito ao deserto,

Versículo 2: onde enfrentou as tentações do Diabo por quarenta dias. Durante todos esses dias não comeu nada e, ao fim desse período, estava faminto.

Para entendermos esse trecho do Evangelho sob a ótica espírita, precisamos recapitular certos preceitos da nossa Doutrina:
- a Bíblia foi escrita por seres humanos, e não por Deus; portanto, não basta justificar uma ideia dizendo somente: "está na bíblia". Como tudo o que existe, precisamos usar a razão para discernir os conceitos. Podemos até afirmar que a bíblia foi escrita sob inspiração de Deus, mas não diretamente por Ele;
- a bíblia foi escrita por diversos autores e, depois, traduzida inicialmente por representantes da Igreja Católica; certos trechos foram modificados para que confirmassem a doutrina católica;
- várias traduções foram feitas, sendo que cada uma delas procurou adaptar a tradução à sua maneira de pensar.

Depois de ter sido batizado por João Batista, Jesus foi levado para um lugar deserto. Se levarmos tudo ao pé da letra, acreditaremos que o Diabo foi tão forte que tentou o Filho de Deus (ou o próprio Deus, segundo a teologia católica) por quarenta dias.

Em primeiro lugar, o Espiritismo afirma que Deus e Jesus são seres diferentes. Deus é o Pai, o Criador de tudo o que existe. Jesus é o Seu filho amado, o espírito mais evoluído do qual temos notícia.

O Diabo, visto como um ser dedicado eternamente ao mal, em pé de igualdade com Deus, não existe. Se ele fosse como é descrito (poderoso, eterno, etc), seria tão poderoso quanto Deus, o que não é possível. O mal é a ausência do bem, e não existem seres dedicados eternamente ao mal. O que existe é um espírito ainda ignorante das leis do amor, que vai permanecer assim até que o processo evolutivo o leve a entender a vida de uma maneira diferente.

Não é possível acreditar que Jesus, um espírito perfeito, pudesse ser tentado pelo Diabo por quarenta dias. Esse relato é como uma parábola, que visa mostrar que nós também podemos ser tentados (mais pelo mal que existe dentro de nós do que por um espírito menos evoluído), e que precisamos resistir e perseverar no bem.

Em "A Gênese", livro escrito por Allan Kardec, no capítulo 15, itens 52 e 53, temos uma explicação sobre a tentação de Jesus, para quem quiser se aprofundar mais no assunto.

Versículo 3: Indagou-lhe, então, o Diabo: "Se tu é o Filho de Deus, ordena que esta pedra se transforme em pão."

Versículo 4: Então Jesus lhe contestou: "Está escrito: 'Nem só de pão viverá o ser humano.'"

Se o Diabo reconhece quem é Jesus, será que ele acreditava que Jesus fosse cair nessa armadilha? Depois de passar com Ele quarenta dias, o Diabo deveria saber melhor com quem estava tratando!

Neste relato simbólico, Jesus usa um texto do Antigo Testamento (Deuteronômio capítulo 8, versículos 13 a 16) para responder. Isso significa que precisamos ter conhecimento para nos livrarmos das tentações. Precisamos estudar, ler e meditar sobre as coisas de Deus.

Versículo 5: Então, o Diabo o levou a um lugar muito alto e lhe mostrou, em uma fração de tempo, todos os reinos do mundo.

Versículo 6: E lhe propôs: "Eu te darei todo o poder sobre eles e toda a glória destes reinos, porque me foram entregues e tenho autoridade para doá-los a quem bem entender.

Versículo 7: Portanto, se prostrado me adorares, tudo isso será teu!"

Versículo 8: Contudo Jesus lhe afirmou: "Está escrito: 'Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele darás culto!'"

Temos o Diabo dizendo ao Filho de Deus que o mundo inteiro tinha sido dado a ele. Quem acredita que Deus deu o mundo todo ao Diabo para que ele pudesse nos atormentar com suas tentações, disputando nossas almas com Deus, faz uma imagem muito imperfeita de Deus.

Esse é mais um simbolismo: temos as tentações do mundo. A todo momento, somos levados a pensar que devemos conquistar o mundo material. Mas isso não é verdade. A verdade é expressa pela fala de Jesus: devemos adorar somente a Deus, e não ao "deus dinheiro".

Versículo 9: Em seguida o Diabo o levou para Jerusalém, e o colocou sobre a parte mais alta do templo, e o desafiou: "Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui para baixo.

Versículo 10: Pois, como está escrito: 'Aos seus anjos ordenará a teu respeito, para que te protejam;

Versículo 11: eles te sustentarão sobre suas mãos para que não batas com teu pé contra alguma pedra!"

Versículo 12: Repreendeu-lhes Jesus: "Dito está! 'Não tentarás o Senhor teu Deus!'"

Versículo 13: E assim, tendo concluído todo o tipo de tentação, o Diabo afastou-se dele até o tempo oportuno.

Temos o Diabo citando o Salmo 91, versículos 11 e 12. Será que, além de ser eternamente dedicado ao mal, ele também era um exímio estudioso dos textos bíblicos?

O simbolismo contido aí diz que os espíritos dedicados, ainda que provisoriamente, ao mal não são obrigatoriamente ignorantes em termos de religião. Muitos demonstram profundo conhecimento, e usam esse conhecimento para distorcerem o sentido correto das coisas. Este é mais um incentivo para que estudemos os assuntos religiosos de maneira diligente, pois senão corremos o risco de sermos enganados.

Quando Jesus diz que não devemos tentar Deus, o assunto é muito complexo. Quando O tentamos? Quando dizemos que só acreditaremos nEle se determinada coisa acontecer ou deixar de acontecer, quando O chantageamos para conseguir o que queremos (ao fazermos "promessas", é chantagem o que fazemos), ou ao fazermos outras pequenas tolices, próprias de espíritos ignorantes das leis imortais.

O texto conclui ainda dizendo que o Diabo não acabou o seu serviço, que estava esperando a oportunidade para retornar e tentar Jesus novamente.

Ao lermos os textos bíblicos, precisamos ter muito  cuidado para não interpretarmos tudo ao pé da letra e tirarmos conclusões que não são verdadeiras. Existem numerosas obras espíritas dedicadas ao estudo, além de palestras disponíveis na internet. Bom estudo a todos.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Lucas 3.21-24

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 3


Versículo 21: E ocorreu que, quando todo o povo estava sendo batizado, da mesma maneira Jesus o foi; e no momento em que Ele estava orando, o céu se abriu

João Batista veio para anunciar a vinda do Messias, pregando a necessidade do arrependimento. O batismo simbolizava esse arrependimento.

Jesus não tinha do que se arrepender. Ele procurou João para que se confirmasse que Ele era o Messias esperado, aquele que libertaria o povo judeu da escravidão.

No momento do batismo, Jesus estava orando. Vamos ver vários trechos do Evangelho onde é descrito que Jesus estava orando, principalmente em momentos delicados de Sua vida. Jesus, um espírito cuja evolução nós temos dificuldade em dimensionar, ao orar mobilizava uma força espiritual indescritível. No momento do Seu batismo, Ele possibilita um fenômeno mediúnico formidável: todos os presentes conseguem ver e ouvir um espírito se manifestar.

Versículo 22: e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do céu surgiu uma voz: "Tu és o meu Filho amado; e em ti me agrado sobremaneira."

A descrição é muito clara: um espírito, que assumiu a forma de uma pomba, aparece no meio da multidão. E uma voz é ouvida por todos; essa voz declara que Jesus é seu filho amado. Não pode haver nenhuma confusão: o espírito, emissário de Deus, declara que Jesus é o filho de Deus, não podendo, desta forma, ser confundido com o próprio Deus.

O conceito da santíssima trindade foi criado pela igreja católica. O Espiritismo não compartilha dessa ideia. Para quem deseja entender melhor isso, recomendamos a leitura do livro "Cristianismo e Espiritismo", de Leon Denis.

Deus é o Pai, o criador. Jesus é Seu filho. Em muitas ocasiões, Jesus, segundo descrito nos Evangelhos, dirige-se a Deus como um filho amoroso faria a seu pai, deixando bem claro que eles são duas pessoas diferentes.

O livro "Cristianismo e Espiritismo", anteriormente citado, também esclarece que o adjetivo "santo" foi colocado junto ao termo "espírito" pela igreja católica, não sendo assim desde o começo, quando o relato dizia apenas "espírito", e não "espírito santo". Esse argumento é também válido para outros trechos do Evangelho onde encontramos o termo "Espírito Santo". Resumindo: no início, no Evangelho estava apenas escrito "espírito"; assim, ficava clara a ideia de que um espírito havia se manifestado; a igreja católica acrescentou o termo "santo" à palavra "espírito", e essa deturpação vem  se mantendo até os dias de hoje.

Versículo 23: Jesus tinha cerca de trinta anos de idade quando iniciou seu ministério. Ele era, como se dizia, filho de José; filho de Eli


Segundo a tradição judaica, era aos 30 anos de idade que um servo judeu era considerado maduro para assumir vários serviços religiosos. Por isso Jesus esperou até os 30 anos de idade para, através do batismo de João, iniciar seu ministério.

Lucas vai descrever a linhagem de Jesus a partir de Maria, pois parte do princípio que Jesus foi gerado por Deus. Assim, vemos uma descrição diferente, pois não se considerava, naquela época, a linhagem materna, apenas a paterna. Como Maria e José eram descendentes de Davi, de qualquer forma a profecia do Antigo Testamento se cumpre, pois o Messias é um descendente da linhagem de Davi.

Até o final deste capítulo. Lucas vai descrever a linhagem de Maria até Adão, considerado pelos judeus como o primeiro homem criado por Deus. Era importante, para os judeus, confirmar a linhagem de Jesus, por isso a extensa descrição, que vai até o versículo 38 deste capítulo.


sábado, 14 de janeiro de 2017

Lucas 3.19-20

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 3


Versículo 19: Contudo, quando João admoestou Herodes, o tetrarca, por causa de Herodias, mulher do próprio irmão de Herodes, e devido a muitas ouras obras perversas que havia praticado,

Versículo 20: Herodes acrescentou a todas essas maldades a de mandar João para a prisão.

João Batista há havia iniciado a sua missão, e anunciava também que não era o Messias esperado.

Herodes Antipas, filho de Herodes, estava com a mulher de seu irmão Filipe. João o acusa de adultério, crime grave entre os judeus, e punível com a morte. Então, Herodes manda prender João Batista.

Na época em que Jesus viveu na Terra, os judeus estavam sob o domínio do império romano, e eram governados por Herodes Antipas. Este governador, como muitos outros que estão no poder, não aceitou muito bem a crítica de João Batista. Embora todos soubessem que ele estava com uma mulher que era esposa de seu irmão, ninguém tocava no assunto. Para os judeus, o adultério era algo muito sério, e João Batista disse isso em alto e bom som. Como resultado por dizer a verdade que ninguém queria ver, foi preso.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Lucas 3, 15-18

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 3


Versículo 15: A esta altura as pessoas estavam em grande expectativa, imaginando se porventura João não seria o Cristo.

Cristo (em grego) ou Messias (em hebraico) significava "o ungido". Refere-se à profecia da vinda de um descendente do rei Davi, que restauraria a nação de Israel e o reino de Davi, trazendo paz ao mundo.

Essa profecia encontra-se no Antigo Testamento, e os judeus aguardavam ansiosamente a vinda do Messias, esperando que ele os libertasse do domínio do império romano (na época de Jesus, o exército romano havia invadido a sua nação, e a dominava).

Como João Batista vinha pregando a necessidade do arrependimento, as pessoas acreditaram que ele poderia ser o Messias. Isso aconteceu antes de Jesus começar Sua missão.

Versículo 16: Então João esclareceu a todos: "Eu, de fato, vos batizo com água. Entretanto, chegará alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno sequer de desamarrar as correias de suas sandálias. Ele sim, vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.

João tinha plena consciência de seu papel: preparar as pessoas, chamar a atenção delas, para uma mudança no pensamento que o verdadeiro Messias iria trazer. Ele não sabia exatamente quem era o Messias, mas sabia que estava próximo o tempo em que ele se apresentaria. Sabia também que as mudanças que pregava, dizendo para as pessoas se arrependerem de suas faltas, era apenas uma pequena parte das modificações que o Messias iria trazer.

Versículo 17: Ele traz uma pá em suas mãos, a fim de limpar a sua eira e juntar o trigo em seu celeiro; todavia queimará a palha com o fogo que jamais se apaga."

A pá, na lavoura, serve para separar as sementes das cascas. Assim, o Messias viria para separar aqueles que realmente se empenham em cumprir a vontade de Deus daqueles que só se preocupam com o culto exterior.

João sabia que as mudanças que o Messias traria seriam profundas. Toda uma maneira de pensar e agir sofreria modificações. O homem seria redirecionado a Deus, aprendendo como se relacionar com o seu Criador. No início da história do povo judeu, Moisés ensinou uma série de regras que tinham por objetivo disciplinar o povo e o direcionar a Deus. Passados anos, o povo já havia amadurecido espiritualmente, e estava preparado para aprender uma nova maneira de se relacionar com Deus; o Messias traria essas novas informações.

Versículo 18: E com muitas outras palavras, João entusiasmava as multidões e lhes pregava as Boas Novas.

João cumpriu fielmente o seu papel de preparar o coração das pessoas para a mensagem de Jesus. Assim, entrou para a história como uma importante figura na vida do cristianismo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Lucas 3.1-14

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 3


Versículo 1: No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, época em que Pôncio Pilatos foi governador da Judeia; Herodes, tetrarca da Galileia; seu irmão Filipe tetrarca de Itureia e Traconites; e Lisânias, tetrarca de Abilene, e

Nesta época descrita por Lucas (ano 25 ou 26 da era cristã), a região onde Jesus vivia estava dominada pelo império romano. Tibério César foi o imperador romano que governou de 14 a 37 d C.

A região dominada pelo império romano foi dividida em quatro regiões: duas delas governadas pelos meio-irmãos Herodes Antipas e Filipe (filhos de Herodes, que havia morrido há mais de 20 anos), por Pilatos e por Lisânias. Todos os quatro governantes tinham poderes iguais, estavam sujeitos ao controle de Roma e tinham que manter a paz em seu território.

Versículo 2: Anás e Caifás exerciam o ofício de sumo sacerdotes. Foi nesse mesmo ano que João, filho de Zacarias, recebeu uma palavra convocatória do Senhor, no deserto.

De acordo com a lei judaica, havia apenas um sumo sacerdote, descendente de Arão, que mantinha o seu cargo por toda a vida. Entretanto, o governo romano havia deposto Anás e colocado, em seu lugar, seu genro Caifás.Como o cargo de sumo sacerdote era vitalício, os judeus continuaram a considerar Anás como sumo sacerdote.

Depois de 400 anos sem um profeta, Deus convoca João Batista para ser Sua voz e anunciar a vinda do Messias.

A palavra "deserto" nem sempre se referia a uma região seca e arenosa, mas principalmente a um local desolado e desabitado.

Versículo 3: Então ele percorreu toda a região próxima ao Jordão, proclamando um batismo de arrependimento para perdão dos pecados.

João Batista foi chamado por Deus para pregar o arrependimento ao povo. O batismo de João era um ato simbólico, no qual as pessoas demonstravam publicamente sua compreensão e tristeza pelos erros e pecados cometidos, e a sincera disposição de buscar uma vida em plena harmonia com a vontade de Deus.

A missão fundamental de João era a de preparar o caminho para Jesus, sensibilizando as pessoas para o que Jesus viria ensinar.

Versículo 4: Assim como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: "Voz do que clama no deserto: 'Preparai o caminho do Senhor, tornai retas as suas veredas.

Versículo 5: Pois que todo o vale será aterrado e todas as montanhas e colinas, niveladas. As estradas tortuosas se transformarão em retas e os caminhos acidentados serão aplanados.

Versículo 6: E todos os seres viventes contemplarão a salvação que Deus oferece.' "

Lucas, que escreveu este livro para um público gentio (não judeu), quis mostrar, citando o livro de Isaías (capítulo 40, versículos 3 a 5, e capítulo 52, versículo 10), que a salvação é para todos, e não apenas para os judeus.

Versículo 7: João repreendia as multidões que vinham para ser batizadas por ele: "Raça de víboras! Quem lhes persuadiu a fugir da ira vindoura?

Deus faz com que João fale de maneira dura a fim de que as pessoas despertassem para a realidade. Eles não seriam salvos apenas porque era um direito deles, por serem descendentes de Abraão. Suas atitudes, e não palavras, deveriam demonstrar a sua submissão à vontade de Deus.

Versículo 8: Produzi, então, frutos que demonstrem arrependimentos. E não comeceis a cogitar em vossos corações: 'Abraão é nosso pai!' Pois eu vos asseguro que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão.

Os frutos que demonstram arrependimento pelos erros cometidos podem ser exemplificados como:
- reconhecimento da responsabilidade pessoal e social;
- disposição para evitar o mal;
- prática espontânea de boas obras;
- partilha amorosa e voluntária dos bens pessoais com aqueles que mais necessitam;
- caráter honesto e justo em todos os relacionamentos e assuntos;
- atitude paciente em todas as situações;
- prática da verdade;
- espírito otimista e alegre mesmo em meio às grandes dificuldades da vida, compreendendo que a esperança não vem das coisas nem das pessoas, mas de Deus.

Versículo 9: O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada ao fogo."

João Batista alertava que era tempo de mudanças. Não adiantava a pessoa se arrepender mas continuar a fazer as mesmas coisas de sempre.

Posteriormente, Jesus iria criticar as pessoas que, apesar de ocuparem altos cargos religiosos, não agiam de acordo com o que pregavam.

Jesus também falaria que pelo fruto se reconheceria a árvore. Não adianta a pessoa ter um discurso muito bonito se as suas ações contradizem o que fala.

João Batista alerta as pessoas, convocando-as ao arrependimento. Mas esse arrependimento tem que promover modificações em sua vida. Esse é o fruto ao qual se refere.

Versículo 10: E as multidões lhe rogavam: "O que devemos fazer então?"

Versículo 11: Diante do que João as exortava: "Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem nenhuma; e quem possui o que comer, da mesma maneira reparta."

Diante das duras reprimendas de João Batista, que dizia que elas não estavam agindo de maneira correta, as pessoas se preocuparam em saber o que deveriam saber. A explicação que ele dá não poderia ser mais clara!

Versículo 12: Chegaram inclusive alguns publicanos para serem batizados. E indagavam: "Mestre, como devemos proceder?"

Publicanos eram judeus que, a serviço de Roma (que dominava a Palestina naquela época) cobravam os impostos dos judeus. Devido ao fato de cobrarem mais do que era devido, embolsando grande parte do dinheiro, e representarem o governo opressor, eram mal vistos pelos judeus, sendo sinônimo de "pecadores".


Versículo 13: E João lhes respondeu: "Não deveis exigir nada além do que vos foi prescrito."

João não poderia ser mais simples e direto do que isso!

Versículo 14: Então um grupo de soldados lhe inquiriu: "E quanto a nós, o que devemos fazer?" E ele os orientou: "A ninguém molesteis com extorsões, nem denuncieis falsamente. Contentai-vos com o vosso próprio salário."

A mensagem de João exigia pelo menos três atitudes:
- partilhe o que você tem com aqueles que estão necessitados;
- qualquer que seja o seu trabalho, faça-o bem  feito e com justiça;
- esteja satisfeito com o que você tem.

João Batista não veio para levar consolo àqueles que viviam de maneira incorreta. Ele convocou as pessoas a uma vida justa e santa.

Vemos que João Batista veio para alertar as pessoas, dizendo que o que elas estavam fazendo estava errado. Elas estavam acomodadas com a situação, achando que estavam agindo bem por agir de acordo com o que a Lei determinava. João veio para mostrar que a realidade era outra.