sábado, 5 de maio de 2018

Lucas 8.26-39

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 8


Versículo 26: Navegaram para a região dos gerasenos, que fica do outro lado do lago, frente à Galiléia.

Os gerasenos, também chamados de gadarenos ou gergesenos, eram os habitantes da cidade de Gerasa (ou Gadara), que ficava a sudoeste do mar da Galileia. Era uma das cidades da Decápolis (cidades gregas que não pertenciam a um país, pois eram autônomas). Não eram judeus, e ganhavam a vida com a criação de porcos, animais considerados imundos pelos judeus.

Versículo 27: Quando Jesus pisou em terra, foi ao encontro dele um endemoninhado daquela cidade. Fazia muito tempo que aquele homem não usava roupas, nem vivia em casa alguma, mas nos sepulcros.

Um homem, vítima de uma obsessão que já durava muito tempo, vê uma pessoa se aproximar do lugar onde costumava ficar, e parte em direção a ele.

Temos a descrição de um processo obsessivo muito profundo. O homem perdeu as características de sua própria individualidade: não usava mais roupas, nem morava em uma casa, ficando entre os túmulos de um cemitério.

Versículo 28: Quando viu Jesus, gritou, prostrou-se aos seus pés e disse em alta voz: "Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes!"

Quem falou com Jesus não foi o homem, mas o espírito que causava a obsessão. Ao reconhecer naquela pessoa que se aproximava a figura de Jesus, o espírito perguntou o que Jesus queria, e pediu para não ser castigado.

Os espíritos dedicados ao mal já sabiam quem Jesus era, e o que estava fazendo encarnado. Poucas pessoas encarnadas naquela época conseguiram perceber isso. Em outros trechos do Evangelho, vemos os espíritos obsessores reconhecerem Jesus de imediato.

A encarnação de Jesus estava há muito tempo sendo planejada, e os espíritos dedicados ao mal sabiam disso e das consequências que ela traria.


Versículo 29: Pois Jesus havia ordenado que o espírito imundo saísse daquele homem. Muitas vezes ele tinha se apoderado dele. Mesmo com os pés e as mãos acorrentados e entregue aos cuidados de guardas, quebrava as correntes, e era levado pelo demônio a lugares solitários.

Podemos substituir o termo "espírito imundo" e "demônio" por "obsessor", e teremos a descrição das consequências da obsessão naquele homem.


Versículo 30: Jesus lhe perguntou: "Qual é o seu nome?" "Legião", respondeu ele; porque muitos demônios haviam entrado nele.

O espírito que estava falando com Jesus diz que eram muitos os que estavam causando o processo obsessivo. "Legião" era um termo que designava um grupo de até seis mil soldados romanos.

Geralmente, em processos de obsessão intensos e antigos, vamos encontrar um grupo de espíritos envolvidos, o que torna mais complexa a resolução do problema, pois geralmente esses espíritos possuem vínculos muito fortes com aquele que sofre a obsessão.

Versículo 31: E imploravam-lhe que não os mandasse para o Abismo.

O Abismo era o local onde se acreditava que Satanás e seus seguidores seriam confinados.

Versículo 32: Uma grande manada de porcos estava pastando naquela colina. Os demônios imploraram a Jesus que lhes permitisse entrar neles, e Jesus lhes deu permissão.

Quando se instala um processo obsessivo, o obsessor atua sobre o obsidiado. Entretanto, o obsessor não "entra" no corpo do obsidiado, pois no corpo habita apenas um espírito. O que o obsessor faz é agir sobre o espírito do obsidiado, o que pode fazer com que, indiretamente, comande o corpo do encarnado.

Da mesma maneira que um obsessor não "entra" no corpo do obsidiado, também não "entra" no corpo de animais. O obsessor pode se fazer visível a um animal, mas o animal não serve de médium, pois o princípio que habita o corpo de um animal é diferente do que habita o corpo de um homem. No animal, existe um princípio de inteligência individualizada, mas que ainda não constitui um espírito propriamente dito.


Versículo 33: Saindo do homem, os demônios entraram nos porcos e toda a manada atirou-se precipício abaixo em direção ao lago e se afogou.

Ao ser rompida a ligação daqueles espíritos com o homem, os espíritos se dispersaram, e de alguma forma foram percebidos pelos porcos que, assustados, saíram correndo, caindo em um lago, morrendo afogados.

Versículo 34: Vendo o que acontecera, os que cuidavam dos porcos fugiram e contaram esses fatos na cidade e nos campos,

Versículo 35: e o povo foi ver o que havia acontecido. Quando se aproximaram de Jesus, viram que o homem de quem haviam saído os demônios estava assentado aos pés de Jesus, vestido e em perfeito juízo, e ficaram com medo.

Ao invés de ficarem felizes, pois uma pessoa que era tida como louca agora estava agindo de maneira normal, eles ficaram com medo. O desconhecido causa medo em muitas pessoas.

Versículo 36: Os que tinham visto contaram ao povo como o endemoninhado fora curado.

Versículo 37: Então, todo o povo da região dos gerasenos suplicou a Jesus que se retirasse, porque estavam dominados pelo medo. Ele entrou no barco e regressou.

O que tinha causado tanto medo nos habitantes locais? Certamente não era o fato de um homem ter sido libertado de seu sofrimento, mas porque muitos porcos, que geravam lucros, terem morrido.

Deve ter sido muito assustador eles verem os porcos se atirarem no lago, mas eles deixaram de perceber o homem que agora estava curado.

Versículo 38: O homem de quem haviam saído os demônios suplicava-lhe que o deixasse ir com ele; mas Jesus o mandou embora dizendo:

Versículo 39: "Volte para casa e conto o quanto Deus lhe fez." Assim, o homem se foi e anunciou na cidade inteira o quanto Jesus tinha feito por ele.

Aquele homem demonstrou profunda gratidão por Jesus o ter curado. Estava disposto a largar tudo para seguir quem o curou. Entretanto, Jesus tinha outros planos para ele, e ele os cumpriu.

Vemos pessoas que procuram ajuda quando estão sofrendo um processo de obsessão. Enquanto muitas conseguem perceber que o processo de cura se faz de dentro para fora, através da reforma íntima, muitas apenas querem se ver livres do obsessor, e retornam à sua vida assim que conseguem o que desejam. Como elas não se modificaram, tornam possível que o processo obsessivo se instale novamente.

Neste trecho do Evangelho segundo Lucas, vemos que a obsessão era já conhecida há mais de dois mil anos. Não foi inventada pelo Espiritismo, que apenas se dedicou ao seu estudo e compreensão deste fenômeno tão antigo quanto a humanidade.

domingo, 8 de abril de 2018

Lucas 8.22-25

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 8


Versículo 22: Certo dia Jesus disse aos seus discípulos: "Vamos para o outro lado do lago."  Eles entraram num barco e partiram.

Alguns dos discípulos de Jesus tinham a pesca como profissão. Assim, nada mais natural do que Jesus pedir para que fosse levado à outra margem do lago por eles, através de um barco.

Versículo 23: Enquanto navegavam, ele adormeceu. Abateu-se sobre o lago um forte vendaval, de modo que o barco estava sendo inundado, e eles corriam grande perigo.

O lago da Galileia está, até hoje, sujeito a tempestades violentas e repentinas, onde as ondas podem alcançar até seis metros de altura. Embora fossem pescadores experientes, os discípulos estavam assustados com a violência daquela tempestade, que poderia, a qualquer momento, afundar o barco onde estavam.

Versículo 24: Os discípulos foram acordá-lo, clamando: "Mestre, Mestre, vamos morrer!" Ele se levantou e repreendeu o vento e a violência das águas; tudo se acalmou e ficou tranquilo.

Mesmo em meio à tempestade, Jesus dormia tranquilamente. Ao ser acordado, repreendeu a tempestade e a violência das águas. Ele tinha o poder não só sobre o plano espiritual, mas sobre o material também. Bastou um comando Seu e houve perfeita paz, ou seja, tudo se aquietou. Isso nos dá um vislumbre do poder de Jesus!

Versículo 25: "Onde está a sua fé?", perguntou ele aos seus discípulos. Amedrontados e admirados, eles perguntaram uns aos outros: "Quem é este que até aos ventos e às águas dá ordens, e eles lhe obedecem?"

Jesus pergunta o motivo de Seus discípulos não terem fé. Eles deveriam saber que, estando com Jesus, nenhum mal lhes aconteceria.

Os discípulos ficaram também espantados por Jesus ter acalmado a tempestade. Não tinham, na verdade, ideia de quem era Jesus, de que Ele poderia fazer isso e muito mais.

Em nossas vidas, muitas vezes Jesus nos convida para "pegarmos o barco" para nos dirigirmos "à outra margem do lago", sou seja, sairmos da nossa zona de conforto e irmos para onde Ele deseja. A princípio, ficamos contentes com o convite. Entretanto, no meio do lago, uma "tempestade", isto é, a adversidade pode nos atingir.

Precisamos ter fé, e acreditar que Jesus é quem está no comando, levando-nos em segurança para a outra margem. Sabemos que a "viagem" (transição) não será tranquila, mas que Jesus está "no barco" conosco.

Devemos sempre ter em mente que estamos encarnados pra servirmos a Jesus, e não que Ele está a nosso serviço para satisfazer os nossos caprichos. Assim, vamos orar pedindo para termos forças para cumprir a vontade de Deus, e não que Ele cumpra a nossa vontade.




sábado, 17 de março de 2018

Lucas 8.19-21

Evangelho segundo Lucas

Capítulo 8

Versículo 19: A mãe e os irmãos de Jesus foram vê-lo, mas não conseguiam aproximar-se dele, por causa da multidão.

Onde quer que Jesus fosse, grande multidão O seguia. Ele era procurado por pessoas que queriam ouvir os Seus ensinamentos, e também por aquelas que queriam que Ele as curasse. Por isso, quando a mãe e os irmãos de Jesus quiseram falar com Ele, tiveram dificuldade para se aproximarem, pois havia muita gente em volta.

Versículo 20: Alguém lhe disse: "Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-te".

Versículo 21: Ele lhe respondeu: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam".

Jesus aproveitava toda oportunidade ao Seu alcance para ensinar e esclarecer as pessoas. Quando alguém falou que sua mãe e seus irmãos estavam querendo falar com Ele, a resposta poderia ser simplesmente: "Já vou", ou até mesmo "Estou ocupado agora. Daqui a pouco, conversamos". Mas não, Ele ensinou que a Sua família é constituída por todos aqueles que cumprem a vontade de Deus.

Pensando desta maneira, não tem sentido a discussão que existe entre os seguidores de diferentes religiões, pois Jesus deixa claro que todo aquele que cumpre a vontade de Deus faz parte de Sua família. Assim como fica um pouco infantil a discussão entre irmãos para verem qual é o preferido dos pais, todas as religiões são igualmente importantes para Deus.

domingo, 11 de março de 2018

Lucas 8.16-18

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 8


Versículo 16: "Ninguém acende uma candeia e a esconde num jarro ou a coloca debaixo da cama. Ao contrário, coloca-a num lugar apropriado, de modo que os que entram possam ver a luz.

"Candeia" é um pequeno aparelho de iluminação, de folha de flandres ou de barro, abastecido com óleo ou gás inflamável e provido de mecha; usa-se geralmente no alto, pendente de um prego preso à parede.

Também conhecida como lâmpada a óleo ou lamparina, era utilizada desde a pré-história, e continua sendo usada até hoje.

Jesus se utiliza de uma imagem bem conhecida das pessoas às quais Ele falava. Todos utilizavam a candeia para iluminar as suas casas, e ninguém iria acendê-la e colocá-la num lugar onde não pudesse iluminar, pois a sua finalidade era exatamente a de iluminar. Hoje em dia, seria como colocar a lâmpada de um quarto embaixo da cama: não faz nenhum sentido. Todos colocam ou no alto da parede ou no centro do teto.

O objetivo de Jesus não era ensinar às pessoas qual o melhor local de colocar uma candeia, pois todos sabiam como usar essa fonte de iluminação. Ele comparou a luz que a candeia produzia com os conhecimentos que trazia através das Boas Novas (este é o significado da palavra "evangelho"). As pessoas que entrassem em contato com os Seus ensinamentos seriam como candeias, cheias de luz, e esta luz serviria para iluminar o caminho das outras pessoas também. Por isso, deveriam ser colocadas de forma a permitir que todos pudessem ver sua luz, ou seja, deveriam levar os ensinamentos de Jesus a um maior número de pessoas possíveis.

Assim também é com os ensinamentos trazidos pelo Espiritismo. Não precisamos ir nas praças das cidades para ficar falando o quanto o Espiritismo é maravilhoso. Mas, através de nossas atitudes no dia-a-dia, podemos mostrar o quanto o Espiritismo pode modificar uma pessoa, fazendo com que ela tenha mais entendimento da vida, e praticando os ensinamentos de Jesus. Quando acendemos uma luz, a primeira pessoa a se beneficiar dela é a pessoa que acende.

É muito importante divulgar o Espiritismo, mas mais importante é vivenciá-lo.

Versículo 17: Porque não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz.

O Espiritismo, trazendo os ensinamentos de Jesus à luz do espírito imortal e suas sucessivas reencarnações, permite uma melhor compreensão de muitos temas que não puderam ser abordados em profundidade na época em que Jesus viveu entre nós.

Assim, a missão maior do Espiritismo é trazer de volta os ensinamentos de Jesus com toda a sabedoria e beleza que eles possuem, não mais permitindo que seu sentido seja deturpado ou permaneça oculto.

Versículo 18: Portanto, considerem atentamente como vocês estão ouvindo. A quem tiver, mais lhe será dado; de quem não tiver, até o que pensa que tem lhe será tirado."

A pessoa que possui conhecimento vai se aprofundando cada vez mais, aumentando o seu entendimento. Aqueles que não se dedicam ao estudo dos ensinamentos de Jesus podem cometer enganos na interpretação deles, e quando alguém mostrar que esses conhecimentos são falhos, até mesmo o que julgavam conhecer será retirado.

Embora a prática cristã seja essencial, ninguém pode dizer que faz a vontade de Deus se não sabe qual é a vontade Dele. O Espiritismo procura ajudar as pessoas a entenderem a mensagem de Jesus e, consequentemente, qual a vontade do Pai. Por isso, não pode haver Espiritismo desvinculado do profundo estudo da mensagem de Jesus.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Lucas 8.4-15

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 8


Versículo 4: Reunindo-se uma grande multidão e vindo a Jesus gente de várias cidades, ele contou esta parábola:

Versículo 5: "O semeador saiu a semear. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.

Esta parábola, conhecida como "a parábola do semeador", é encontrada em três dos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas), e o seu significado é explicado pelo próprio Jesus.

Versículo 6: Parte dela caiu sobre as pedras e, quando germinou, as plantas secaram, porque não havia umidade.

Versículo 7: Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram com ela e sufocaram as plantas. 

Versículo 8: Outra ainda caiu em boa terra. Cresceu e deu boa colheita, a cem por um." Tendo dito isso, exclamou: "Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!"

Versículo 9: Seus discípulos perguntaram-lhe o que significava aquela parábola.

Versículo 10: Ele disse: "A vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino de Deus, mas aos outros falo por parábolas, para que 'vendo não vejam; e ouvindo não entendam'.

Esta citação está no livro do profeta Isaías no capítulo 6, versículo 9.

Versículo 11: "Este é o significado da parábola: A semente é a palavra de Deus.

Versículo 12: As que caíram à beira do caminho são os que ouvem, e então vem o Diabo e tira a palavra do seu coração, para que não creiam e não sejam salvos.

Os discípulos de Jesus possuíam uma evolução espiritual acima da média do povo. Por isso, a eles Jesus esclareceu muitos pontos de Seus ensinamentos que ficaram obscuros.

Versículo 13: As que caíram sobre as pedras são os que recebem a palavra com alegria quando a ouvem, mas não têm raiz. Creem durante algum tempo, mas desistem na hora da provação.

A fé em Deus é útil em todos os momentos da vida. Nos tempos felizes, serve para nos lembrar que todo bem é proveniente de Deus, e que devemos sempre ser gratos a Ele. Nos momentos difíceis, devemos nos lembrar que Ele está sempre ao nosso lado.

Algumas pessoas, ao terem contato com o Espiritismo, ficam deslumbradas, achando tudo muito lindo. Inscrevem-se em todos os cursos que o Centro Espírita oferece, assistem todas as palestras e querem participar de todas as atividades. Vão ao Centro sete dias da semana. Ao perceberem que os frequentadores do Centro não são anjos ocultando suas asas, mas sim humanos falíveis em busca de ajuda, assim como elas mesmas, desistem de tudo, dizendo que esperavam encontrar pessoas melhores num ambiente religioso. Esquecem-se de que elas próprias não são "pessoas melhores", e que, se fossem seguir à risca o seu raciocínio, não deveriam estar no Centro, pois também não são perfeitas. Essas pessoas se desencantam com o Espiritismo e simplesmente o abandonam, não porque o Espiritismo seja ruim, mas porque as pessoas que estão nele são imperfeitas.

Versículo 14: As que caíram entre espinhos são os que ouvem, mas, ao seguirem seu caminho, são sufocados pelas preocupações, pelas riquezas e pelos prazeres desta vida, e não amadurecem.

As pessoas pessoas, ao se depararem com o Espiritismo, ficam sabendo que a vida verdadeira é a espiritual, e que a vida material é um breve instante na vida do ser eterno. Elas se sensibilizam, e até chegam a pensar numa mudança de atitude. Mas acabam por se deixar arrastar pelas falsas necessidades da vida material, e o lado espiritual acaba sendo deixado de lado.

Versículo 15: Mas as que caíram em boa terra são os que, com coração bom e generoso, ouvem a palavra, a retêm e dão fruto, com perseverança.

Jesus explica que as pessoas que ouvem os Seus ensinamentos, usando a perseverança, produzem frutos. Isso mostra que é necessária uma atitude, a perseverança, que é a vontade de fazer alguma coisa e continuar fazendo. É um trabalho não só para uma vida, mas para muitas existências.

Religião não é algo ao qual nos dedicaremos uma hora por semana. Necessitamos de um estudo contínuo, uma vontade imensa de aprender, um esforço heroico para modificar as nossas más tendências (e não o comportamento dos outros!). Isso sem falar da prece, que é um canal direto de comunicação com Deus, não só para pedir, mas principalmente para agradecer. Enfim, precisamos de esforço e dedicação, mas a recompensa é a paz interior, o entendimento do real significado da palavra "amor".



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Lucas 8.1-3

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 8


Versículo 1: Depois disso Jesus ia passando pelas cidades e povoados proclamando as boas novas do Reino de Deus. Os Doze estavam com ele

Jesus havia sido convidado para jantar na casa de um fariseu (membro de uma seita judaica). Durante o jantar, uma mulher ungiu os pés de Jesus, o que serviu de escândalo para o fariseu, pois ela era uma prostituta.

Jesus ensinou que o agradecimento era proporcional ao tamanho do erro perdoado, e que ela, porque havia pecado muito, era muito agradecida por ter sido perdoada.

Jesus sai de Cafarnaum, onde estava morando, e se dirige a várias cidades, com o objetivo de ensinar as boas novas (este é o significado da palavra "evangelho": boas novas) ao povo.

Versículo 2: e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças. Maria, chamada Madalena, de quem haviam saído sete demônios;

Versículo 3: Joana, mulher de Cuza, administrador da casa de Herodes; Susana e muitas outras. Essas mulheres ajudavam a sustentá-lo com os seus bens.

Na cultura judaica, as mulheres não recebiam ensino religioso, ao contrário dos homens, que desde criança eram ensinados sobre as leis judaicas pelos mestres. Jesus, ao permitir que essas mulheres viajassem com o Seu grupo e recebessem ensinamentos, mostra que, perante Deus, todos são iguais e merecedores de serem ensinados.

Essas mulheres, além de participarem do grupo quando Jesus estava ensinando, contribuíam financeiramente para que o grupo tivesse suas necessidades supridas. Elas O ajudavam porque haviam sido curadas por Ele.

Quando executamos o trabalho designado por Deus, cada um tem uma tarefa diferente a ser desempenhada. Nenhum trabalho é mais importante nem melhor do que o outro, pois todas as peças são necessária para cumprirmos a tarefa que Deus nos deu.


sábado, 27 de janeiro de 2018

Lucas 7.36-50

Evangelho segundo Lucas


Capítulo 7


Versículo 36: Convidado por um dos fariseus para jantar, Jesus foi à casa dele e reclinou-se à mesa.

Para os judeus, o convite para uma refeição tinha muito valor, representando um selo de amizade e reconhecimento. Por isso, tinha imensa importância ser convidado para fazer uma refeição em uma casa. Os convidados deveriam ser tratados com especial respeito, e existia uma cerimônia que envolvia o ato de compartilhar uma refeição.

Na época de Jesus, as refeições eram servidas em mesas baixas, e em volta dela ficavam divãs e almofadas. Os convidados ficavam reclinados sobre os divãs ou sobre as almofadas, com os pés voltados para trás. A comida era servida por escravos ou empregados.

Versículo 37: Ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade, uma pecadora, trouxe um frasco de alabastro com perfume, 

Versículo 38: e se colocou atrás de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume.

Versículo 39: Ao ver isso, o fariseu que o havia convidado disse a si mesmo: "Se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma pecadora." 

Uma mulher, ao saber que Jesus estava num determinado local, vai até Ele, lava-lhe os pés com suas lágrimas, enxuga os Seus pés com os próprios cabelos e o unge com perfume, demonstrando profundo respeito por Jesus.

Os fariseus, acostumados a só prestarem atenção ao cumprimento das regras, não conseguem entender a cena. Apenas enxergam uma prostituta tocando Jesus, e julgam tanto Jesus como a mulher.

Versículo 40: Então lhe disse Jesus: "Simão, tenho algo a lhe dizer." "Dize, Mestre", disse ele.

Jesus sabia o que aquele homem estava pensando. Ao invés de o repreender e dar uma lição de moral, resolve fazer com que o homem entenda a situação. Usa uma história para que o ensinamento seja compreendido.

Versículo 41: "Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinquenta. 
  
Um denário era o equivalente ao que um trabalhador braçal recebia por um dia de trabalho.

Versículo 42: Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais?"

Jesus coloca a situação de uma maneira bem simples, de modo que todos possam entender o que Ele pretende ensinar.

O fariseu, vaidoso por seu conhecimento das leis judaicas, achou que Jesus fosse um tolo, pois nem tinha percebido que a mulher que estava próxima a Ele era uma prostituta. Se Jesus tentasse explicar que, para Deus, todos são iguais, o fariseu não iria entender. Usou, então, de uma história que poderia acontecer no dia a dia daquelas pessoas. Assim, todos entenderiam a mensagem.


Versículo 43: Simão respondeu: "Suponho que aquele a quem foi perdoada a dívida maior." "Você julgou bem", disse Jesus.

O fariseu, vaidoso e orgulhoso, nem percebeu o motivo de Jesus estar contando aquela história. Ficou envaidecido por ter acertado a resposta, sem se preocupar com a finalidade daquela conversa.

Versículo 44: Em seguida, virou-se para a mulher e disse a Simão: Vê esta mulher? Entrei em sua casa, mas você não me deu água para lavar os pés; ela, porém, molhou os meus pés com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos.

Em sinal de cortesia, os convidados que chegavam, que estavam com os pés sujos, pois usavam sandálias (como as ruas eram de terra e, às vezes, barro, os pés se sujavam com frequência), tinham os seus pés lavados.

O fariseu, zeloso em cumprir todas as regras que existiam, esqueceu-se da mais simples gentileza ao receber um convidado. Embora chamasse Jesus de Mestre, não demonstrou respeito nem consideração quando O recebeu em sua casa.

Versículo 45: Você não me saudou comum beijo, mas esta mulher desde que entrei aqui, não parou de beijar os meus pés.

Versículo 46: Você não ungiu a minha cabeça com óleo, mas ela derramou perfume nos meus pés.

O ato de ungir a cabeça com óleo era especialmente dedicado aos mestres da Lei. O fariseu nem ao menos considerou Jesus como um mestre da Lei, pois não deu a Ele o tratamento respeitoso que seria adequado.

Versículo 47: Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados; pois ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama."

Versículo 48: Então Jesus disse a ela: "Seus pecados estão perdoados."

Versículo 49: Os outros convidados começaram a perguntar: "Quem é este que até perdoa pecados?" 

Os judeus acreditavam que somente Deus tinha o poder de perdoar os pecados, por isso se espantam por Jesus ter perdoado aquela mulher.


Versículo 50: Jesus disse à mulher: "Sua fé a salvou; vá em paz."

Jesus reconheceu a vontade da mulher de se transformar e viver uma vida diferente. Diz que a fé que ela possuía a havia salvo.

Temos uma lição profunda numa simples história contada por Jesus: uma mulher, desprezada pela sociedade, mostra mais fé do que um que se considera um guardião das virtudes.